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Autismo agora pode ser identificado com 16 meses? Entenda

Por Leticia Florenço
22/09/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Autismo - Reprodução/iStock

Autismo - Reprodução/iStock

O Ministério da Saúde anunciou uma mudança na forma como o Brasil aborda o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Pela primeira vez, profissionais da atenção primária vão realizar testes de triagem de TEA em crianças com idade entre 16 e 30 meses, integrando essa avaliação à rotina de acompanhamento do desenvolvimento infantil.

A medida faz parte da nova linha de cuidado para TEA, lançada em 18 de setembro de 2025, que busca transformar a atenção à saúde infantil no país.

A importância da detecção precoce

Segundo o ministério, identificar sinais de autismo ainda nos primeiros anos de vida é fundamental para melhorar o desenvolvimento social e cognitivo das crianças.

A atuação precoce permite que intervenções, estímulos e terapias sejam aplicados antes mesmo do diagnóstico formal, contribuindo para maior autonomia e habilidades de interação futura.

O M-Chat como ferramenta de triagem

O teste de triagem utilizado, conhecido como M-Chat, já é capaz de identificar sinais de TEA em crianças pequenas. Disponível na Caderneta Digital da Criança e nos sistemas eletrônicos de saúde, ele permite que profissionais detectem precocemente potenciais sinais de autismo.

A partir daí, cada criança pode receber estímulos direcionados e terapias específicas, ajustadas às necessidades individuais.

A linha de cuidado para TEA define uma rede integrada, desde a atenção primária até serviços especializados, incluindo Centros Especializados em Reabilitação (CER) e serviços de saúde mental.

O objetivo é criar fluxos de encaminhamento, garantindo que cada criança receba o suporte adequado e contínuo, especialmente se houver comorbidades ou sofrimento psíquico.

Projeto Terapêutico Singular

Outra novidade é o fortalecimento do Projeto Terapêutico Singular (PTS), que promove planos de tratamento individualizados.

Construídos em parceria entre equipes multiprofissionais e famílias, esses planos permitem que cada criança receba atenção personalizada, com estímulos, terapias e acompanhamento adaptados às suas necessidades específicas.

O ministério também reforça a centralidade das famílias no desenvolvimento infantil. A nova linha de cuidado inclui orientação parental, grupos de apoio e capacitação de profissionais para que práticas no ambiente domiciliar complementem o trabalho das equipes de saúde.

Essas ações buscam reduzir a sobrecarga familiar e fortalecer vínculos afetivos, reconhecendo o papel crucial dos cuidadores no processo de crescimento e desenvolvimento da criança.

Impacto social

Com estimativa de que 1% da população brasileira viva com TEA e 71% desses indivíduos apresentando outras deficiências, a nova linha de cuidado representa um avanço importante na integração de serviços pelo SUS.

A abordagem precoce e estruturada não apenas melhora o prognóstico das crianças, mas também oferece suporte concreto às famílias, fortalecendo redes de cuidado e prevenindo o isolamento social.

Próximos passos e implementação

A atualização do Guia de Intervenção Precoce e a implementação de programas de treinamento de habilidades para cuidadores, alinhados com recomendações da OMS, reforçam a perspectiva de um sistema de saúde mais eficiente e humanizado.

A expectativa é que essas ações transformem a realidade de crianças com TEA no Brasil, promovendo desenvolvimento saudável, inclusão e maior qualidade de vida desde os primeiros anos.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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