O Brasil registra um crescimento no número de casos de câncer em adultos de 18 a 50 anos, chamando atenção de médicos, pesquisadores e autoridades de saúde. Entre 2013 e 2024, os registros no Sistema Único de Saúde (SUS) passaram de 45,5 mil para 174,9 mil, um salto de 284%.
Entre os tumores que mais afetam essa faixa etária estão os de mama, colorretal e fígado. O câncer de mama é o mais incidente, com mais de 22 mil novos casos por ano em mulheres de até 50 anos e crescimento de 45% no período analisado.
O câncer colorretal, por sua vez, registrou aumento de 160%, saindo de 1.947 diagnósticos para 5.064 em apenas 11 anos.
Falta de dados completos
Cerca de 75% dos pacientes dependem do SUS, mas especialistas alertam que o número real de casos pode ser ainda maior. A saúde suplementar, que cobre 25% da população, não dispõe de notificações compulsórias desde 2010, tornando impossível mensurar com precisão os casos atendidos no setor privado.
Além disso, o Ministério da Saúde apenas realiza projeções trienais, sem dados consolidados para análise detalhada.
Estilo de vida e fatores de risco
Segundo especialistas, a maior parte dos casos de câncer em jovens está ligada ao estilo de vida moderno.
O oncologista Samuel Aguiar, do A.C.Camargo Cancer Center, afirma que apenas 5% dos diagnósticos têm origem hereditária, enquanto mais de 90% estão relacionados à alimentação industrializada, sedentarismo e obesidade.
O sedentarismo e dietas pobres em fibras, somados ao estresse e noites maldormidas, aumentam a vulnerabilidade a tumores precoces.
Desafios do rastreamento precoce
Outro problema é a baixa adesão a exames preventivos. Colonoscopias e outros rastreamentos raramente são feitos antes dos 50 anos, mesmo com o aumento da incidência em adultos jovens.
A médica nuclear Sumara Abdo, do Inca, destaca que protocolos de prevenção ainda priorizam idosos, enquanto mulheres de 30 anos têm sido diagnosticadas com tumores agressivos, muitas vezes sem histórico familiar.
Sinais de alerta
Alguns sintomas podem indicar a presença precoce da doença e não devem ser ignorados:
- Perda de peso inexplicável
- Sangue nas fezes ou urina
- Nódulos persistentes
- Alterações no hábito intestinal
- Cansaço extremo
- Sangramentos anormais
Prevenção e hábitos saudáveis
Para reduzir riscos, especialistas recomendam:
- Dieta rica em fibras, frutas e vegetais
- Evitar alimentos ultraprocessados e álcool
- Manter atividade física regular
- Realizar exames preventivos conforme orientação médica
Desigualdades no acesso e tratamento
Mesmo com avanços, como a expansão da mamografia no SUS para mulheres a partir dos 40 anos, o sistema ainda enfrenta desafios para atender o novo perfil de pacientes.
A demora entre diagnóstico e início do tratamento é um problema persistente, e terapias modernas e testes genéticos permanecem restritos à rede privada.
Identificar a doença rapidamente continua sendo a melhor estratégia para reduzir mortalidade e melhorar o prognóstico, mostrando que o câncer não é exclusividade da terceira idade.





