Quando o assunto é AVC, o tempo não é apenas uma referência no relógio, é um fator que pode determinar o futuro do paciente.
Nesta quarta-feira, 29 de outubro, Dia Mundial do AVC, especialistas reforçam um alerta que pode salvar vidas: quanto mais cedo o atendimento for prestado, menores são as chances de sequelas permanentes.
Segundo o neurocirurgião Orlando Maia, cada minuto de atraso pode representar a perda de neurônios e funções neurológicas que, em muitos casos, jamais serão recuperadas.
A nova face do AVC
Por muito tempo, acreditou-se que o AVC era um problema quase exclusivo de pessoas idosas. Hoje, o cenário mudou. O número de casos em pessoas jovens tem crescido de maneira preocupante.
Sedentarismo, obesidade, alimentação inadequada, tabagismo, uso de anticoncepcionais e o aumento do consumo de cigarros eletrônicos formam um conjunto perigoso. A rotina corrida e o estresse crônico agravam ainda mais esse quadro, tornando o cérebro vulnerável a eventos inesperados.
Sintomas repentinos exigem ação imediata
O AVC é traiçoeiro. Ele começa de forma repentina e, muitas vezes, sem aviso prévio. Entre os sinais mais frequentes estão dificuldade para falar, perda de força em um dos lados do corpo, alterações na visão e paralisia de braço ou perna.
Alguns episódios podem ser transitórios, desaparecem em poucos minutos, mas já funcionam como um aviso. Ignorar esses sinais pode ser o primeiro passo para um AVC definitivo e, consequentemente, para sequelas irreversíveis.
A corrida contra o relógio dentro do hospital
No tratamento, cada segundo conta. No AVC isquêmico (causado pela obstrução de um vaso sanguíneo), existe uma janela crucial de até 4 horas e meia para administrar um medicamento capaz de dissolver o coágulo.
Passado esse limite, ainda é possível intervir com um procedimento chamado trombectomia mecânica, em que um cateter é inserido para remover o coágulo, que pode ser realizado em até 24 horas, dependendo do caso.
O desfecho do paciente depende, especialmente, da rapidez com que ele chega ao atendimento especializado.
Hemorrágico ou isquêmico
O AVC pode ocorrer de duas formas distintas:
- Hemorrágico: Acontece quando um vaso sanguíneo se rompe, geralmente devido à pressão arterial elevada ou a malformações vasculares. O sangue extravasado comprime áreas do cérebro e compromete funções vitais.
- Isquêmico: Responsável por cerca de 80% dos casos, ocorre quando um vaso é obstruído por um coágulo ou acúmulo de gordura, impedindo a chegada de oxigênio ao cérebro.
Em ambos os casos, a resposta deve ser imediata. Cada minuto sem circulação sanguínea representa a perda de neurônios que não são substituídos.
Prevenir é mais fácil do que recuperar
A melhor forma de enfrentar o AVC é evitar que ele aconteça. Segundo o Ministério da Saúde, controlar a pressão arterial, o colesterol, os níveis de glicose e manter uma rotina de hábitos saudáveis reduz drasticamente o risco.
Exercícios físicos, alimentação equilibrada e abandono do tabagismo são atitudes que têm impacto direto e imediato. A qualidade do sono também é determinante: noites mal dormidas favorecem processos inflamatórios que, ao longo do tempo, elevam o risco de doenças cardiovasculares.





