Astrônomos identificaram uma estrela que pode ter se formado apenas alguns milhões de anos após o Big Bang, oferecendo um vislumbre raro do universo primitivo.
A estrela, batizada de SDSS J0715-7334, é uma gigante vermelha com características químicas quase intocadas desde a origem do cosmos, tornando-a uma relíquia viva de uma época em que estrelas e galáxias ainda começavam a emergir.
A estrela com menor quantidade de metais
SDSS J0715-7334 apresenta a menor metalicidade já registrada em uma estrela, com Z inferior a 7,8 × 10⁻⁷. Para efeito de comparação, esse valor é quase duas vezes menor que o da antiga recordista J1029+1729 e mais de dez vezes inferior ao da estrela SMSS J0313-6708, considerada pobre em ferro.
Esse índice químico sugere que a estrela se formou antes que sucessivas gerações de supernovas enriquecessem o universo com elementos pesados.
O padrão químico extremamente raro
Além da escassez de ferro, SDSS J0715-7334 também possui níveis muito baixos de carbono, algo incomum mesmo entre estrelas antigas.
Essa assinatura química indica que a estrela nasceu a partir do gás remanescente de uma supernova de uma estrela da População III, hipotéticos primeiros astros do universo, que se formaram diretamente do gás primordial logo após o Big Bang.
Órbita preservada e medições confiáveis
A estrela segue uma trajetória de cerca de 4 bilhões de anos pelo halo distante da Via Láctea, evitando a contaminação por matéria interestelar.
Esse isolamento orbital permite que os cientistas realizem medições precisas de sua composição química, o que é essencial para reconstruir a história das primeiras estrelas e testar modelos de nucleossíntese de supernovas.
Origem na Grande Nuvem de Magalhães
Com base em dados do satélite Gaia e simulações orbitais, os pesquisadores concluíram que SDSS J0715-7334 se originou na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da Via Láctea, antes de migrar para o halo galáctico.
Essa trajetória confirma que estrelas extremamente antigas não se limitam ao disco principal da nossa galáxia e podem conter pistas sobre a evolução química em outros sistemas estelares.
Lições sobre a formação estelar
A descoberta também contribui para a compreensão dos processos que permitem o nascimento de estrelas. SDSS J0715-7334 se formou abaixo do chamado “limite de resfriamento por estrutura fina”, evidenciando que o resfriamento facilitado por poeira cósmica foi crucial para sua formação.
Esse mecanismo é provavelmente universal, ocorrendo em galáxias dentro e fora da Via Láctea.
SDSS J0715-7334 não é apenas uma estrela antiga: é uma cápsula do tempo cósmica.
Estudar sua composição química e trajetória permite aos cientistas entender melhor como o universo evoluiu desde suas primeiras estruturas, como surgiram os elementos pesados e como os primeiros astros moldaram a galáxia que habitamos hoje.





