O ar-condicionado se tornou item essencial em milhões de residências, escritórios e veículos ao redor do mundo, especialmente em regiões onde o calor é intenso e constante. Em países tropicais, por exemplo, ele é mais do que um conforto — é uma necessidade para garantir bem-estar e produtividade.
No entanto, por trás do alívio térmico que proporciona, está um problema ambiental preocupante: os gases utilizados para refrigerar o ar são altamente poluentes e contribuem significativamente para o aquecimento global.
Ar-condicionado possui gases poluentes e refrigerante seria a solução
A maioria dos sistemas atuais de ar-condicionado funciona com gases fluorados, que têm alto potencial de causar efeito estufa quando liberados na atmosfera, seja por vazamentos, descartes inadequados ou falhas técnicas.
Diante da crescente demanda por refrigeração — impulsionada pelas mudanças climáticas — cientistas buscam alternativas mais sustentáveis. É nesse contexto que surge uma inovação promissora: o refrigerante sólido.
Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, estão desenvolvendo um novo tipo de material capaz de substituir os gases tradicionais.
Chamado de “cristal de plástico”, esse refrigerante sólido tem consistência macia, semelhante à cera, e é formado por moléculas que giram livremente. Quando submetidas à pressão, essas moléculas se reorganizam, liberando calor.
Ao serem despressurizadas, o processo se inverte, absorvendo calor e resfriando o ambiente ao redor — esse mecanismo é conhecido como efeito barocalórico.
Nova tecnologia para ar-condicionado tem vantagens e desafios
A vantagem crucial dessa tecnologia é que, por ser sólida, a substância não escapa para a atmosfera como acontece com os gases. Além disso, os testes indicam que os refrigerantes sólidos podem ser mais eficientes em termos de consumo de energia.
O desafio, agora, é adaptar essa inovação aos padrões de uso do consumidor: tamanho, ruído e custo ainda estão sendo otimizados.
A startup Barocal, fundada por cientistas de Cambridge, está liderando os esforços para levar essa tecnologia ao mercado.
O primeiro protótipo de ar-condicionado utilizando o novo material já está em funcionamento e a expectativa é lançar os primeiros produtos comerciais em até três anos, inicialmente voltados para edifícios comerciais e centros de dados.
Se a inovação cumprir o que promete, o refrigerante sólido poderá representar uma mudança radical na indústria de climatização, reduzindo drasticamente as emissões e tornando o uso do ar-condicionado mais sustentável para o planeta.





