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Aposentados seguem sendo vítimas de golpes impunes no Brasil

Por Leticia Florenço
13/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Aposentadoria

Foto: (Imagem/Reprodução)

Ser idoso no Brasil é, para muitos, um fardo social silencioso. Dos mais de 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, cerca de 70% recebem apenas um salário mínimo por mês.

Esse valor mal cobre despesas básicas com moradia, alimentação e medicamentos. Ainda assim, esses cidadãos são vítimas frequentes de um ciclo perverso de abusos, fraudes e negligência institucional.

Quem realmente protege os aposentados brasileiros?

É uma pergunta dolorosa, porém necessária. O Brasil possui legislações como o Estatuto da Pessoa Idosa e o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que, em teoria, deveriam proteger essa parcela da população.

Mas na prática, as leis são ignoradas e os crimes cometidos contra idosos seguem impunes. Não há punições exemplares, não há inibição. Há apenas silêncio e desamparo.

Golpes

O Brasil vive um verdadeiro colapso ético em relação ao tratamento dado aos aposentados. Eles são vítimas de:

  • Associações falsas que aplicam descontos indevidos;
  • Golpistas em call centers, que induzem os idosos com discursos manipulativos;
  • “Amigos” e familiares inescrupulosos, que se aproveitam da fragilidade emocional e financeira;
  • Empresas que vendem serviços desnecessários ou enganosos, usando o crédito consignado como ferramenta de exploração.

Tudo isso resulta em bilhões de reais desviados anualmente. Estima-se que só em um dos maiores esquemas recentes, cerca de R$ 6 bilhões foram surrupiados, atingindo aproximadamente quatro milhões de aposentados e pensionistas. O mais revoltante? Nenhuma prisão relevante foi feita até agora.

Crédito Consignado

O crédito consignado, idealizado como alternativa segura para que aposentados pudessem acessar crédito com juros mais baixos, transformou-se em armadilha.

Muitos idosos, pressionados por familiares ou enganados por vendedores mal-intencionados, acabam endividados sem sequer entender os contratos que assinaram. São usados como avalistas involuntários da crise financeira familiar, com descontos automáticos e pouca transparência.

O papel do INSS

O Instituto Nacional do Seguro Social, que deveria ser o guardião dos recursos dos aposentados, tem falhado sistematicamente em sua missão. O INSS permitiu que descontos fossem feitos por entidades sem credibilidade, ignorou denúncias, e até hoje não garantiu o ressarcimento dos valores desviados.

Em muitos casos, os idosos esperam há meses ou anos para receber de volta valores indevidamente descontados. E isso, se tiverem força e acesso à Justiça.

Solidão como agravante social

A solidão, que atinge milhares de idosos, aumenta em 31% o risco de demência, segundo estudos. Mas o abandono social vai além da saúde mental: deixa os idosos mais vulneráveis a golpes e abusos. Sem apoio emocional ou jurídico, eles não conseguem se defender ou sequer entender o que está sendo feito contra eles.

Muitos brasileiros só lembram dos aposentados nas filas de bancos ou nas campanhas eleitorais. Fora isso, existe um abandono coletivo: políticos não os priorizam, o sistema jurídico é moroso e a sociedade naturalizou a ideia de que o idoso é um peso.

É hora de o Brasil olhar com seriedade para a dor de seus aposentados. Eles trabalharam a vida inteira, contribuíram com impostos, sustentaram famílias, construíram o país.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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