Uma mudança prevista pelo governo federal deve começar a alterar, de forma lenta e contínua, o acesso ao crédito de aposentados e pensionistas do INSS.
O cartão consignado, que hoje é amplamente utilizado como complemento de renda, entra em uma fase de redução progressiva a partir de 2027, dentro de um novo modelo de reorganização do crédito no país.
A medida está inserida no Novo Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas e ao controle do endividamento das famílias brasileiras. A proposta não elimina imediatamente o produto, mas muda sua estrutura e reduz sua relevância ao longo do tempo.
Um crédito que virou parte da renda mensal
Ao longo dos anos, o cartão consignado deixou de ser apenas uma alternativa de crédito e passou a integrar o planejamento financeiro de milhões de beneficiários do INSS.
A facilidade de contratação, somada ao desconto direto no benefício, fez com que ele se tornasse uma das modalidades mais populares entre aposentados.
Em muitos casos, ele é usado como apoio para despesas fixas, emergências ou até como complemento para o orçamento mensal. Essa dependência faz com que qualquer alteração nas regras tenha impacto direto no dia a dia dos segurados.
O modelo atual e como ele funciona hoje
Atualmente, o sistema permite que uma parte significativa da renda do aposentado seja comprometida com crédito consignado. A soma das operações pode chegar a 45% do benefício mensal.
Esse percentual inclui empréstimos pessoais e também limites específicos destinados ao cartão consignado e ao cartão de benefício. O desconto automático na folha reduz o risco de inadimplência, mas também diminui o valor disponível para o consumo mensal.
A nova estrutura de limites proposta
Com as mudanças, o limite total de comprometimento da renda será ajustado para 40%. Além disso, o modelo que separava uma fatia exclusiva para cartões deixa de existir como regra fixa.
Na nova configuração, o cartão consignado e o cartão de benefício passam a ter participação mais restrita, limitada a até 5% cada um. Essa alteração reduz a presença desse tipo de crédito dentro da margem total do INSS.
Novos prazos e regras adicionais no sistema
Apesar das restrições na margem, o novo modelo também amplia algumas condições de pagamento. O prazo máximo das operações passa de 96 para 108 meses, permitindo parcelamentos mais longos.
Também passa a existir a possibilidade de carência de até 90 dias, dependendo do tipo de operação contratada. Essas medidas funcionam como uma forma de compensar parcialmente a redução do crédito disponível.
O que muda na prática para quem já usa o cartão
Quem já possui contratos ativos não será afetado imediatamente, mas sentirá o impacto na renovação e na contratação de novos créditos. Com a margem menor, o acesso a novos valores tende a ficar mais restrito.
Por isso, especialistas recomendam acompanhamento frequente do extrato no Meu INSS e cautela na tomada de novas decisões financeiras durante o período de transição.






