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Após tropeço bilionário, Heinz aposta em marcas antigas para se reerguer

Por Leticia Florenço
27/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Heinz - Reprodução/Unsplash

Heinz - Reprodução/Unsplash

A Kraft Heinz, gigante da indústria alimentícia conhecida mundialmente, está diante de um dos seus maiores desafios desde a fusão entre Kraft e Heinz em 2015.

Com ações em queda acentuada, estratégias de recuperação emergem, envolvendo até mesmo a possível cisão de negócios tradicionais para tentar virar o jogo no mercado cada vez mais competitivo.

A fusão da Kraft e da Heinz, apoiada por Warren Buffett e sua Berkshire Hathaway, visava criar uma potência global, capaz de cortar custos, ampliar portfólio e expandir internacionalmente.

Contudo, o sonho bilionário perdeu força. Desde 2015, o valor das ações caiu cerca de dois terços, refletindo problemas que vão além da economia global.

Mudança no comportamento do consumidor

Um dos fatores decisivos para o declínio da Kraft Heinz foi a mudança no comportamento dos consumidores americanos.

Após a pandemia, houve uma redução no consumo de alimentos embalados tradicionais, principalmente por causa da alta dos preços e do crescente movimento “Make America Healthy Again” (MAHA), que critica produtos ultraprocessados e estimula uma alimentação mais natural e saudável.

Para tentar recuperar valor para os acionistas, a Kraft Heinz avalia a separação de partes do negócio, especialmente aquelas de crescimento mais lento, como o queijo Velveeta e marcas tradicionais da Kraft.

Essa divisão pode resultar em uma nova empresa avaliada em até US$ 20 bilhões, o maior movimento em bens de consumo deste ano.

Potencial de crescimento do negócio de condimentos

Entre os ativos mais promissores está a divisão de condimentos, que inclui o icônico ketchup Heinz e o cream cheese Philadelphia.

Com vendas de US$ 11,4 bilhões no último ano e espaço para expansão internacional, esse segmento tem maior apelo para investidores e poderia alcançar múltiplos mais atraentes do que o conglomerado atual.

No outro lado, as marcas mais antigas e tradicionais da Kraft, como Oscar Mayer, enfrentam forte concorrência de marcas próprias, mais baratas e em ascensão. Esse cenário limita o potencial de valorização e atratividade do segmento, tornando a cisão um movimento arriscado e de retorno incerto.

Estratégias de venda e aquisições em vista

A Kraft Heinz pode seguir os passos da Kellogg Co., que recentemente vendeu partes importantes de seus negócios para empresas como Ferrero e Mars. Possíveis interessados nas divisões da Kraft Heinz incluem grandes players do setor, como McCormick, Unilever e Nestlé, que buscam fortalecer suas posições em mercados competitivos.

Especialistas apontam que a separação por si só não garante a valorização esperada. O sucesso dependerá fortemente da capacidade da empresa em encontrar compradores dispostos a pagar um prêmio pelos ativos. Além disso, o mercado atualmente é desafiador para produtos tradicionais, o que dificulta o cenário.

A Kraft Heinz já reduziu suas projeções de vendas e lucros para 2024, com queda de 3% nas vendas. O futuro da empresa passa por reavaliar sua estrutura, portfólio e talvez apostar mais em inovação e adaptações às tendências de consumo saudável para reconquistar mercado.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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Foto: (Imagem/Reprodução)

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