O Elevidys® (delandistrogeno moxeparvoveque) surgiu como uma esperança para famílias afetadas pela distrofia muscular de Duchenne (DMD), uma doença genética grave e degenerativa.
Desenvolvido com tecnologia de terapia gênica, o fármaco é aplicado em crianças entre 4 e 7 anos que ainda conseguem caminhar, com o objetivo de atenuar a progressão da condição.
A sua aprovação no Brasil, feita pela Anvisa em caráter excepcional no final de 2024, foi cercada por expectativas e vigilância, dado o alto custo e a complexidade do tratamento.
Mortes nos Estados Unidos acendem sinal de alerta global
O cenário de foi interrompido quando a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, notificou três mortes por insuficiência hepática aguda em pacientes tratados com terapias baseadas no mesmo vetor viral utilizado no Elevidys®.
Dois dos óbitos ocorreram em crianças com DMD que não caminhavam, fora da indicação aprovada no Brasil. O terceiro envolveu um adulto com uma forma distinta de distrofia muscular. As ocorrências acenderam um alerta nas autoridades de saúde ao redor do mundo.
Suspensão preventiva
Mesmo sem registro de mortes relacionadas ao Elevidys® no Brasil, a Anvisa optou por suspender temporariamente o uso, a venda e a importação do medicamento.
A decisão segue uma linha preventiva, baseada na gravidade dos relatos internacionais e no princípio da precaução, especialmente por envolver um público infantil. O objetivo é permitir uma análise aprofundada da segurança do produto, considerando as evidências emergentes e a complexidade da tecnologia envolvida.
Fabricantes também interrompem distribuição
A medida brasileira acompanhou decisões internacionais. A Sarepta Therapeutics, responsável pelo desenvolvimento do Elevidys®, suspendeu voluntariamente sua distribuição nos Estados Unidos.
No Brasil, a Roche Farma, encarregada da comercialização, também interrompeu o fornecimento do medicamento, em alinhamento com a Anvisa e com total comunicação aos profissionais de saúde.
Eventos adversos no Brasil são considerados leves ou improváveis
Até o momento, aproximadamente 10 pacientes brasileiros foram tratados com o Elevidys®. Três casos adversos foram notificados à Anvisa em 2025. Dois deles, com sintomas gastrointestinais e alterações laboratoriais já descritos na bula, evoluíram sem maiores complicações.
O terceiro, que resultou em óbito, foi avaliado como improvável de estar relacionado ao medicamento, sendo atribuído a uma infecção viral grave (gripe A) em um paciente imunossuprimido. A bula brasileira já continha alertas sobre os riscos hepáticos e precauções necessárias em casos de infecção.
Decisão visa segurança e reavaliação científica
A suspensão do Elevidys® não significa um banimento definitivo, mas uma pausa estratégica para a reavaliação de seu perfil de segurança.
A Anvisa está em diálogo com outras agências reguladoras, como a FDA (EUA) e a PMDA (Japão), para compartilhar informações e acompanhar de perto os desdobramentos globais.
A medida busca proteger os pacientes, prevenir riscos graves e ajustar, se necessário, as recomendações de uso e estratégias de monitoramento clínico.
O equilíbrio delicado entre inovação e responsabilidade
Terapias gênicas representam uma nova fronteira da medicina e carregam imenso potencial de transformação na vida de pacientes com doenças raras. Contudo, esses tratamentos também exigem precaução, análise rigorosa e atualização constante dos dados clínicos.
A suspensão do Elevidys® reforça que, mesmo diante de promessas científicas revolucionárias, a prioridade máxima deve ser a segurança dos pacientes. A vigilância sanitária cumpre, nesse contexto, um papel essencial de equilíbrio entre acesso à inovação e a proteção da vida.
Compromisso com decisões baseadas em evidências
A Anvisa reiterou seu compromisso com decisões técnicas fundamentadas em evidências científicas e princípios éticos. A autorização de medicamentos complexos exige não apenas dados clínicos robustos, mas também um sistema ativo de farmacovigilância.
Casos como o do Elevidys® evidenciam a necessidade de se manter atento às evoluções internacionais e de agir rapidamente, sempre com foco na saúde pública e no bem-estar dos pacientes.





