Cientistas identificaram um novo tipo de sangue considerado o mais raro já registrado, e ele pertence a apenas uma mulher em todo o planeta.
A descoberta surpreendeu especialistas em hematologia e levou ao reconhecimento oficial de um novo sistema sanguíneo, ampliando ainda mais um campo da medicina que, apesar de parecer simples, é extremamente complexo.
Apenas uma mulher tem esse tipo de sangue considerado raríssimo; saiba motivo
O caso veio à tona após exames laboratoriais de rotina apresentarem resultados inesperados. O sangue da paciente, uma mulher originária da ilha de Guadalupe, no Caribe, não era compatível com nenhum outro testado, nem mesmo com o de familiares próximos.
Diante dessa incompatibilidade total, pesquisadores decidiram aprofundar a investigação para entender o que tornava aquele sangue tão singular.
A análise genética revelou uma mutação rara no gene PIGZ, responsável por uma etapa essencial na formação de moléculas que se fixam à superfície das células sanguíneas.
Em condições normais, esse gene atua na adição de um açúcar específico que ajuda a definir certos antígenos.
No caso da paciente, essa modificação não ocorre. Como resultado, surge uma estrutura diferente na membrana das células vermelhas, criando um antígeno até então desconhecido.
Essa característica deu origem a um novo sistema sanguíneo, batizado de Gwada-negativo, hoje reconhecido como o 48º sistema do mundo pela comunidade científica.
A confirmação não ficou restrita à observação clínica. Para validar a descoberta, os pesquisadores utilizaram técnicas avançadas de sequenciamento genético e edição em laboratório.
Ao reproduzir a mesma mutação em células saudáveis, conseguiram observar o mesmo comportamento identificado no sangue da paciente, o que comprovou que se tratava, de fato, de um novo tipo sanguíneo.
Tipo raro de sangue pode trazer riscos para paciente
Apesar do caráter científico extraordinário, a descoberta traz preocupações práticas. Por não existir nenhum doador compatível conhecido, a paciente corre riscos elevados caso precise de uma transfusão no futuro.
Além disso, os médicos observaram que ela apresenta algumas condições de saúde possivelmente associadas à mutação genética, incluindo alterações no desenvolvimento cognitivo e histórico de perdas gestacionais, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico contínuo.
Do ponto de vista científico, a identificação do Gwada-negativo é considerada um marco.
Ela amplia o entendimento sobre a diversidade genética humana, ajuda a aprimorar protocolos de transfusão e pode abrir caminho para novas pesquisas sobre doenças raras ligadas a alterações em genes como o PIGZ.
Mesmo sendo um caso único, seu impacto ultrapassa a história individual e contribui para avanços importantes na medicina transfusional e genética.






