A 9ª edição do estudo Finfluence, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad), trouxe um dado inédito e revelador sobre o universo das finanças nas redes sociais.
Entre os dez maiores influenciadores digitais do setor no Brasil, apenas um possui certificações formais reconhecidas pelo mercado financeiro. A constatação reforça o debate sobre qualificação técnica, credibilidade e os limites entre educação financeira e recomendação de investimentos no ambiente digital.
Segundo a Anbima, o estudo envolveu contato direto com cada influenciador presente no ranking. Todos declararam quais certificações possuíam e, posteriormente, a associação verificou a veracidade dessas informações junto às entidades certificadoras.
Esse processo garantiu maior rigor ao levantamento e permitiu identificar, com precisão, quem de fato atende aos critérios exigidos para atuação técnica no mercado financeiro.
Quem é o único certificado entre os maiores
Dentro do ranking geral, apenas Tiago Guitián Reis, sócio-fundador da Suno Research e quinto colocado na lista, possui certificações do mercado financeiro. Ele detém títulos relevantes como CGA, CFG, CGE e CNPI, que o habilitam formalmente a atuar com análise, gestão e recomendações de investimentos.
A presença isolada de um profissional certificado entre os líderes do ranking chama atenção para o perfil majoritariamente comunicador dos demais influenciadores.
Os nomes mais populares das finanças digitais
O Top 10 reúne figuras amplamente conhecidas do público, como Thiago Nigro (O Primo Rico), Charles Mendlowicz (O Economista Sincero), Bruno Perrini (Você Mais Rico), Eduardo Feldberg (O Primo Pobre), Samy Dana, Carol Dias (Riqueza em Dias), Gustavo Cerbasi, Pablo Spyer e Nathália Rodrigues (Nath Finanças).
Cada um atua de forma distinta, com abordagens que vão da educação financeira básica à análise econômica e comentários sobre o mercado.
Diferença entre educar e recomendar investimentos
Um ponto central destacado pelo estudo é que nem todos os influenciadores exercem atividades que exigem certificação. Aqueles que fazem recomendações diretas de investimento ou divulgam carteiras precisam atender às exigências regulatórias.
Já quem atua como educador financeiro, professor ou economista, sem indicar produtos específicos, não é obrigado a ter certificações do mercado financeiro, embora formação acadêmica e experiência sejam diferenciais importantes.
Entre os influenciadores rankeados, há perfis com sólida formação acadêmica, mesmo sem certificações. Samy Dana é economista e professor da Fundação Getulio Vargas, enquanto Nath Finanças é formada em Administração, pós-graduanda em Gestão Financeira pela FGV e graduanda em Economia pela PUC Minas.
Gustavo Cerbasi, por sua vez, possui especializações internacionais e mestrado em Finanças pela USP, ainda que não detenha certificações regulatórias.
Como o ranking Finfluence é construído
O ranking leva em conta métricas de desempenho e qualidade nas redes sociais Facebook, Instagram, YouTube e X. São analisados fatores como número de seguidores, engajamento médio, frequência de publicações, autoridade no nicho financeiro e capacidade de articulação entre diferentes públicos.
A combinação desses indicadores mede não apenas popularidade, mas também relevância e influência efetiva no debate financeiro digital.





