Um dos aparelhos mais conhecidos da comunicação urbana brasileira começa a desaparecer de vez das ruas.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) inicia, ainda neste ano, a retirada gradual do aparelho que por décadas esteve presente em esquinas, praças e avenidas de todo o país.
A decisão ocorre após uma transformação profunda na forma como os brasileiros se comunicam, marcada pelo avanço dos celulares e da internet móvel, que tornaram obsoleto um serviço antes considerado essencial.
Aparelho muito utilizado por anos vai ser encerrado para sempre no Brasil
O equipamento em questão é o telefone público, popularmente conhecido como orelhão.
Amplamente utilizado entre os anos 1970 e o início dos anos 2000, ele foi durante muito tempo a principal alternativa para quem não tinha telefone fixo em casa ou precisava fazer uma ligação fora de casa.
Com o passar dos anos, no entanto, o uso caiu drasticamente. A popularização dos celulares, aliada à expansão das redes móveis e de banda larga, reduziu a demanda a níveis mínimos.
A retirada dos orelhões ocorre após o encerramento das concessões de telefonia fixa que obrigavam as operadoras a manter esse tipo de aparelho em funcionamento.
Com o fim dessa exigência regulatória, as empresas deixam de ser responsáveis pela conservação dos telefones públicos.
A partir disso, a Anatel autorizou a remoção de cerca de 30 mil estruturas que hoje permanecem espalhadas pelas cidades brasileiras, muitas delas sem funcionamento ou em estado de abandono.
Aparelhos já estão sendo retirados das ruas
O processo de retirada já começou e será feito de forma progressiva. As carcaças dos orelhões serão recolhidas principalmente em grandes centros urbanos, onde há ampla cobertura de telefonia móvel.
Em locais mais isolados, onde não existe outro meio de comunicação disponível, alguns aparelhos ainda poderão permanecer por um período limitado, que pode se estender até 2028.
Nesses casos, eles devem permitir ligações gratuitas para telefones fixos locais e nacionais, já que cartões telefônicos não são mais produzidos nem facilmente encontrados.
Segundo a Anatel, a mudança também prevê uma contrapartida das operadoras, que deverão direcionar investimentos para a ampliação das redes de internet e telefonia móvel.
A agência afirma que a medida acompanha a realidade atual do país e busca adaptar a infraestrutura de telecomunicações às necessidades contemporâneas da população.
Atualmente, restam pouco mais de dois mil orelhões em funcionamento em todo o Brasil. Embora ainda despertem nostalgia em quem viveu a época das fichas e das filas para ligar, eles se tornaram peças de um passado que já não atende às exigências do presente.
O fim definitivo desses aparelhos marca o encerramento de um capítulo importante da história da comunicação no país.






