O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar nesta semana os envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro(PL). O julgamento deve seguir até a quarta-feira (10) da semana que vem.
E a jornalista Andréia Sadi revelou em seu blog no G1 que, ao mesmo tempo em que o julgamento ocorre, a pauta da anistia para os responsáveis pelos atos antidemocráticos voltou a ganhar força nos bastidores do Congresso Nacional.
Anistia de Bolsonaro de volta à pauta: o que se sabe da situação
Segundo apuração da jornalista, a movimentação tem sido intensa e envolve nomes de peso no universo bolsonarista. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PSD), entrou de forma ativa nas articulações para aprovar a proposta.
Também têm papel relevante o pastor Silas Malafaia e aliados próximos da família Bolsonaro, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e o blogueiro Paulo Figueiredo.
O objetivo é articular um texto que possa ser votado na Câmara em um prazo curto, estimado por fontes como sendo de até duas semanas.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), embora evite se comprometer publicamente, tem indicado a lideranças políticas que, diante de um cenário favorável em termos de votos e clima político, não pretende barrar a votação.
Interlocutores relatam que Motta estaria apenas aguardando o momento certo para evitar um confronto direto com o Judiciário, que segue no processo de julgamento dos acusados pelos atos de janeiro.
Articuladores divergem sobre abrangência da anistia: apenas apoiadores ou inclui Bolsonaro?
A principal divergência entre os articuladores está na abrangência da proposta.
Há uma ala mais radical, liderada por Eduardo Bolsonaro, que defende uma anistia ampla, que inclua não apenas os manifestantes e executores, mas também os organizadores e até mesmo o próprio ex-presidente, o que poderia reverter sua inelegibilidade.
Por outro lado, setores do centrão estariam pressionando por uma versão mais limitada, com o intuito de minimizar repercussões negativas e evitar desgaste com o STF.
No Senado, a condução tem nuances distintas. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que pretende apresentar um texto alternativo, elaborado por ele mesmo, e que não pretende simplesmente aprovar a proposta original que tem circulado entre os aliados de Bolsonaro.
Ainda assim, o clima no Senado também parece favorável à discussão da anistia.
A proposta avança nos bastidores, enquanto o Judiciário segue seu curso. O impasse sobre seu alcance final continua em aberto — mas a movimentação política, por ora, não dá sinais de recuo.





