Nos últimos meses, uma empresa norte-americana de biotecnologia movimentou o noticiário científico ao anunciar a “ressurreição” do lobo-terrível, um animal predador pré-histórico que desapareceu há cerca de 10 mil anos.
A Colossal Biosciences, responsável pelo projeto, apresentou ao público três filhotes supostamente criados com base no material genético do animal extinto. No entanto, após a repercussão do anúncio, a própria empresa revisou sua declaração inicial e esclareceu que não houve clonagem direta do lobo-terrível.
O que foi feito, na realidade, foi a modificação genética de lobos-cinzentos, alterados em laboratório para adquirir características físicas similares às do antigo predador. Assim, a alegação de desextinção foi descartada.
Agora, seis meses após o nascimento dos filhotes, a Colossal divulgou novos dados sobre o desenvolvimento dos animais.
Animais que teriam sido “ressuscitados” sobrevivem por 6 meses
Segundo a empresa, os três animais híbridos seguem vivos e com saúde robusta.
Dois deles, Rômulo e Remo, já ultrapassam os 40 quilos, peso significativamente acima da média para lobos-cinzentos da mesma idade. A terceira, chamada Khaleesi, também apresenta crescimento acima do esperado.
O progresso físico dos animais tem sido usado como argumento para reforçar o potencial da engenharia genética na conservação de espécies ameaçadas, ainda que o projeto não represente uma “ressurreição” literal de uma espécie extinta.
Os animais foram criados com cerca de vinte alterações genéticas específicas, distribuídas em catorze genes. Essas mudanças foram projetadas para simular traços físicos do lobo-terrível original, como a robustez óssea e aspectos vocais.
Ainda que esses indivíduos não possam ser considerados verdadeiros representantes da espécie extinta, os avanços técnicos obtidos no processo são vistos como um passo importante para futuras aplicações em bioconservação.
Anúncio dos animais “desextintos” gerou dúvidas e depois foi desmentido
O caso, no entanto, não passou despercebido pela comunidade científica. O anúncio inicial gerou grande controvérsia por ter sido feito antes da publicação de dados revisados por pares.
Além disso, o uso da expressão “desextinção” foi amplamente criticado, pois criou uma impressão equivocada sobre o que de fato havia sido alcançado.
Especialistas alertaram para a necessidade de precisão na comunicação científica, especialmente quando o tema envolve manipulação genética e espécies desaparecidas.
Mesmo assim, o projeto reacende o debate sobre como a biotecnologia pode ser utilizada para preservar espécies em risco.
Embora os “lobos-terríveis” modernos não sejam cópias fiéis do animal extinto, eles representam uma demonstração prática do que a engenharia genética pode alcançar em um futuro próximo.





