Em 11 de janeiro de 2023, o então presidente Sérgio Rial anunciou um rombo de R$ 20 bilhões nas contas das Lojas Americanas e deixou o cargo que ocupava há dez dias. No dia seguinte, as ações caíram 77%, reduzindo o valor de mercado em mais de R$ 8 bilhões, e, poucos dias depois, a empresa pediu recuperação judicial, em uma das maiores crises do mercado brasileiro.
Três anos depois, o caso ainda não apresenta definição sobre a responsabilização dos envolvidos, deixando em aberto a punição pelos responsáveis por uma das maiores fraudes contábeis da história do mercado brasileiro.
Fraude das Americanas
Desde a descoberta do rombo contábil, a Americanas enfrenta queda expressiva de valor, dificuldades operacionais e processos judiciais e administrativos em andamento. A Justiça Federal e a CVM investigam ex-executivos e conselheiros, incluindo Miguel Gutierrez, ex-presidente durante as fraudes, e outros 12 envolvidos.
O Ministério Público Federal aponta a existência de uma organização criminosa que manipulou balanços, inflou lucros e impactou o preço das ações entre 2016 e 2022, com evidências reforçadas por mensagens internas e delações premiadas.
Financeiramente, o valor de mercado da empresa caiu de R$ 10,8 bilhões para cerca de R$ 1 bilhão, enquanto as vendas anuais recuaram de R$ 25,8 bilhões em 2022 para R$ 14,3 bilhões em 2024. Até o terceiro trimestre de 2025, a receita somava R$ 8,6 bilhões, com prejuízo líquido de R$ 227 milhões, evidenciando o impacto prolongado das fraudes sobre as operações da companhia.
Evitando a falência
Para evitar a falência, os acionistas da 3G Capital aportaram R$ 12 bilhões, somados a R$ 12 bilhões dos bancos credores, reassumindo o controle da companhia. O plano de recuperação judicial, homologado em fevereiro de 2024, envolveu mais de 9 mil credores e dívidas superiores a R$ 50 bilhões, com Bradesco, BTG Pactual, Itaú e Santander respondendo por 35% do total.
A presidência passou a ser ocupada por Fernando Dias Soares em outubro de 2025, iniciando nova fase de reorganização e renegociação de dívidas. Apesar das medidas, processos judiciais, administrativos e recursos na B3 continuam, mantendo indefinido o futuro da empresa e a responsabilização dos envolvidos.






