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Alunos são furados com agulha compartilhada por professor

Por Leticia Florenço
20/03/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Agulha - Reprodução/iStock

Agulha - Reprodução/iStock

Recentemente, um incidente ocorrido em uma escola do município de Laranja da Terra, na Região Serrana do Espírito Santo, gerou uma grande preocupação em relação à segurança e saúde dos estudantes.

O caso envolveu 44 alunos de uma turma de Ensino Médio que, durante uma aula de Química, foram furados com a mesma agulha (lanceta) pelo próprio professor. Este ato resultou em sérios questionamentos sobre a responsabilidade dos educadores e as normas de segurança no ambiente escolar.

O que aconteceu?

Na última sexta-feira, 14 de março, o professor de Química de uma escola estadual em Laranja da Terra decidiu realizar uma atividade prática com seus alunos, que envolvia a coleta de sangue para observação de células sanguíneas e estudo do tipo sanguíneo.

Para isso, o docente usou uma única lanceta (agulha pequena e de uso único) para furar os dedos de 44 alunos. A situação rapidamente gerou grande preocupação, pois o uso compartilhado de agulhas é altamente perigoso, podendo levar à transmissão de doenças como HIV, Hepatites B e C, entre outras infecções.

De acordo com a legislação brasileira, o ato do professor pode ser classificado como “exposição a perigo”, um crime previsto no Código Penal que descreve situações onde alguém coloca outra pessoa em risco iminente de danos à saúde ou à vida.

O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, destacou que o caso se enquadra como um crime de perigo comum, dado que o comportamento do professor colocou a saúde dos alunos em risco ao permitir que todos usassem a mesma agulha.

Reação das autoridades

As investigações sobre o caso foram iniciadas logo após o ocorrido, quando os responsáveis pelos alunos apresentaram denúncias. A Polícia Civil recolheu as agulhas usadas e enviou para análise.

Além disso, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) tomou medidas imediatas ao demitir o professor envolvido e encaminhar o caso à corregedoria da Secretaria. A Sedu também informou que a atividade foi realizada sem a devida autorização da coordenação pedagógica, indicando que a ação do professor não seguia os protocolos de segurança e pedagogia exigidos pela instituição.

Impacto na saúde dos alunos

Após o incidente, todos os 44 alunos foram encaminhados ao hospital para realizar exames médicos e garantir que não haviam contraído nenhuma infecção devido ao uso compartilhado de lancetas.

Médicos alertaram que o uso de materiais de perfuração compartilhados é um comportamento de risco alto, sendo considerado uma violação das normas de biossegurança. Os alunos foram testados para hepatites B e C, HIV e outras doenças, e, até o momento, os resultados não apontaram nenhuma infecção, embora os estudantes ainda continuem sob acompanhamento médico.

Este incidente destaca a importância de educar tanto os estudantes quanto os professores sobre os procedimentos corretos e seguros a serem seguidos em atividades científicas. A formação sobre biossegurança nas escolas deve ser reforçada, e atividades práticas como a coleta de sangue devem ser cuidadosamente planejadas e supervisionadas por profissionais qualificados.

O desfecho da investigação, que ainda está em andamento, deve servir como base para futuras discussões sobre os protocolos de segurança em atividades científicas nas escolas.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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