Em maio de 2025, o custo da cesta básica em Piracicaba atingiu R$ 1.454,91, valor que representa uma alta de 1,29% em relação ao mês anterior.
O levantamento, realizado por grupos de pesquisa da Esalq/USP, trouxe à tona um cenário preocupante para as famílias de renda mais baixa, que agora precisam dedicar quase a totalidade do salário mínimo para adquirir itens essenciais.
Esse aumento, embora pareça pequeno em termos percentuais, compromete de forma significativa o orçamento doméstico, sobretudo para quem ganha apenas um salário mensal.
Salário mínimo já não cobre despesas básicas
A alta dos alimentos e dos produtos de higiene e limpeza reforça uma realidade que vem se consolidando nos últimos anos: o salário mínimo não é mais suficiente para custear os itens da cesta básica.
Esse descompasso entre renda e custo de vida exige das famílias a tomada de decisões difíceis, como cortar gastos com saúde, lazer ou mesmo educação, em favor da sobrevivência alimentar.
Além disso, há um impacto psicológico e social crescente, com aumento do endividamento e sensação de insegurança financeira.
Itens alimentares puxam a inflação da cesta
Os dados revelam que, dentro da categoria de alimentação, a variação foi de 0,98% de abril para maio, com o valor subindo de R$ 1.225,65 para R$ 1.237,61. O maior impacto veio da cebola, que aumentou 21,86% no período.
Em seguida, destacam-se a batata (10,35%), o biscoito maisena (6,98%) e o pão francês (6,24%). Embora pareçam itens de menor peso individual, esses produtos estão entre os mais consumidos pelas famílias, o que intensifica o efeito negativo do aumento.
Paralelamente, alguns alimentos apresentaram queda de preço, como os ovos brancos (-6,84%), o alho (-6,41%), o arroz tipo 1 (-5,64%) e a linguiça toscana fresca (-4,73%).
Limpeza e higiene pessoal também ficaram mais caras
O levantamento mostrou que os aumentos não se restringiram aos alimentos. Os produtos de limpeza doméstica subiram 3,87%, totalizando R$ 94,78 em maio. Os vilões da vez foram o sabão em barra, com alta de 17,76%, e a água sanitária, com aumento de 16,76%.
No setor de higiene pessoal, a elevação média foi de 2,59%. O destaque negativo foi o creme dental, que subiu 13,23%, seguido pelo papel higiênico, com 1,89% de aumento. Sabonetes e desodorantes apresentaram leve recuo, mas insuficiente para conter a alta geral da categoria.
Metodologia detalhada e confiável
O cálculo da cesta básica em Piracicaba segue os padrões do Procon/Dieese, permitindo comparações com outras cidades e capitais.
A coleta de preços é feita mensalmente em seis supermercados e quatro atacarejos, totalizando cerca de 40 itens considerados essenciais para uma família de quatro pessoas, com renda entre um e cinco salários mínimos.
Os preços são ponderados de acordo com a frequência e o volume de consumo, garantindo que o levantamento reflita a realidade do consumo local.
Monitoramento ajuda na tomada de decisões
A divulgação constante desses dados não serve apenas como alerta. Eles também funcionam como uma importante ferramenta para consumidores, pesquisadores e gestores públicos.
Com base nas tendências observadas, é possível adotar estratégias de consumo mais conscientes, buscar alternativas mais baratas e pressionar por políticas públicas que ajudem a conter a inflação de produtos básicos.
Além disso, o acompanhamento contínuo permite identificar padrões sazonais e prever movimentos do mercado nos meses seguintes.
Enquanto os preços seguem subindo, o desafio de manter uma vida digna torna-se cada vez maior.






