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‘Ajuda’ do ChatGPT fez homem desenvolver transtorno raro

Por Leticia Florenço
12/08/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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ChatGPT - Reprodução/Unsplash

ChatGPT - Reprodução/Unsplash

Um homem de 60 anos procurou atendimento médico após apresentar alucinações auditivas e visuais, convencido de que seu vizinho estava tentando envenená-lo.

Durante a investigação clínica, os médicos descobriram uma causa incomum para seus sintomas que ele havia substituído o sal de cozinha tradicional pelo brometo de sódio, uma substância tóxica, depois de consultar o ChatGPT.

Essa troca resultou no desenvolvimento de bromismo, uma intoxicação rara e grave causada pelo bromo.

O bromismo e sua história esquecida

O bromismo, condição associada à intoxicação pelo bromo, foi bastante comum no século XIX, quando sais de bromo eram amplamente utilizados como sedativos para ansiedade e insônia.

Com o avanço da medicina e a regulamentação de substâncias, o bromismo tornou-se uma doença rara. Ainda assim, ele provoca sintomas neurológicos e psiquiátricos severos, como confusão mental, delírios e alucinações.

O homem ingeriu brometo de sódio por três meses, acreditando estar fazendo uma escolha saudável ao eliminar o cloreto de sódio de sua dieta.

O brometo de sódio, entretanto, é uma substância controlada, usada principalmente como anticonvulsivante para animais, pesticida e limpador de piscinas, não indicada para consumo humano. Essa ingestão inadequada desencadeou o quadro grave de intoxicação.

A responsabilidade da inteligência artificial

Embora o ChatGPT seja uma ferramenta avançada para esclarecimento de dúvidas, ele não substitui o aconselhamento médico.

No caso, a IA sugeriu o brometo de sódio como alternativa ao sal sem fornecer um alerta claro sobre os riscos tóxicos, nem questionou o motivo da substituição, algo que um profissional de saúde certamente teria feito.

Essa falta de contexto e ausência de advertências específicas colocam em evidência os riscos de interpretar literalmente informações fornecidas por IA em assuntos delicados.

Limitações e avanços no uso da IA para saúde

Os autores do estudo que descreve o caso ressaltam que o chatbot não ofereceu um alerta específico de saúde e não verificou o contexto do pedido.

No entanto, para minimizar riscos, a OpenAI lançou recentemente o ChatGPT 5 com um recurso chamado “conclusões seguras”, que visa restringir respostas perigosas ou ambíguas em temas sensíveis, como saúde.

O CEO da empresa afirmou que essa nova versão dará mais controle e segurança aos usuários em suas jornadas de cuidado.

Reflexões éticas e sociais sobre a tecnologia

Este episódio evidencia a necessidade de uso consciente e crítico das tecnologias de inteligência artificial. A facilidade de acesso à informação pode gerar interpretações equivocadas, especialmente quando os usuários não têm conhecimento técnico para avaliar os riscos.

Profissionais de saúde e desenvolvedores de IA precisam trabalhar juntos para garantir que essas ferramentas sejam usadas com responsabilidade, sempre ressaltando a importância de buscar orientação médica qualificada.

Usar a tecnologia com sabedoria e buscar sempre ajuda médica são atitudes indispensáveis para evitar riscos desnecessários.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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