O presídio de segurança máxima localizado na Ilha de Sheppey, em Kent, tornou-se palco de um escândalo improvável, uma agente penitenciária de apenas 23 anos teria mantido relações sexuais com dois detentos, utilizando, de forma clandestina, até mesmo a sala destinada a orações.
A revelação ocorreu durante um julgamento que reacendeu debates sobre vulnerabilidade institucional e brechas no controle interno das prisões britânicas.
Isabelle Dale, funcionária recém-ingressa no sistema prisencial, foi considerada culpada por má conduta em cargo público e por tentar introduzir itens proibidos dentro da unidade prisional.
Conforme apontou o jornal “Daily Star”, as investigações mostraram que sua atuação ultrapassava, e muito, os limites éticos e funcionais de sua profissão.
Os encontros clandestinos na sala de oração
O ponto mais chocante do processo judicial veio de depoimentos que relataram encontros sexuais entre Dale e o preso Shahid Sharif, de 33 anos. Dois outros detentos chegavam a atuar como vigias improvisados para garantir que o casal clandestino não fosse surpreendido.
Em uma das ocasiões descritas no tribunal, a agente teria saído da sala com o sentenciado apenas quatro minutos após entrar, momento em que testemunhas afirmaram vê-la “reajustando o cinto”.
O júri ainda teve acesso a gravações e trocas de mensagens entre a agente e Sharif. Em uma delas, Dale elogia um rap que o detento teria enviado para ela, chamando-o de “meu bem” e demonstrando envolvimento afetivo.
Dentro das celas, foram encontradas cartas assinadas por ela, dirigidas ao prisioneiro e apelidadas com o termo “sneaky”. A expressão não era apenas um codinome: Dale havia tatuado a palavra na nuca e se apresentava como “Miss Sneaky”.
Conexão com o crime
As investigações sugerem que a agente não apenas se envolveu emocionalmente com Sharif como também poderia ter sido cooptada para atividades ilegais.
Sharif, condenado a 12 anos por um assalto a joalheria em 2019, é suspeito de tê-la recrutado para contrabandear drogas para dentro do presídio. Dale teria até administrado a conta de Snapchat usada pelo criminoso para movimentações ligadas ao tráfico.
Um segundo relacionamento dentro da prisão
O escândalo ganhou proporções ainda maiores quando a polícia descobriu que Sharif não era o único detento envolvido com Dale.
Ela também mantinha conversas e um suposto relacionamento com Connor Money, preso por causar a morte de um amigo durante uma perseguição policial a 237 km/h. Em uma das mensagens, ela tenta justificar o vínculo: “Talvez você só queira me usar porque sou policial, mas acho que você não é assim xx”.
Julgamento e a decisão do tribunal
Durante o julgamento no Tribunal da Coroa de Southwark, Dale negou todas as acusações, tanto a má conduta quanto a tentativa de transportar itens proibidos. Contudo, o conjunto de provas, que incluía gravações, bilhetes, mensagens e testemunhos, levou o tribunal a considerá-la culpada.
Embora a decisão sobre a culpabilidade tenha sido estabelecida, a pena que Dale deverá cumprir será definida em uma data futura.
O caso, que ganhou enorme repercussão na imprensa, provocou debates sobre a segurança emocional e psicológica de profissionais, especialmente os mais jovens, que atuam em ambientes penitenciários de alta complexidade.





