O ano de 2025 tem sido marcado por extremos climáticos. Entre janeiro e junho, ao menos cinco ondas de calor atingiram o Brasil, elevando os termômetros a patamares históricos em diferentes regiões. Foram semanas de temperaturas sufocantes, recordes quebrados em capitais e interior, e impactos diretos na saúde pública e nas atividades do campo.
No entanto, assim que o inverno chegou, o cenário mudou drasticamente: o país enfrentou um dos períodos mais frios dos últimos anos, com geadas no Sul e Centro-Oeste, e madrugadas geladas até no Sudeste e partes do Nordeste.
Agora, com setembro batendo à porta, o clima promete uma virada radical e, ao mesmo tempo, uma convivência entre extremos.
Enquanto algumas regiões ainda sentirão o resquício do frio e enfrentarão chuvas acima do habitual, outras vão lidar com temperaturas que se aproximam das registradas em desertos, ultrapassando os 40 °C em áreas do Centro-Oeste.
Adeus, inverno! Calor semelhante ao do deserto vai tomar conta do Brasil
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o mês será marcado por um cenário climático contrastante. Na Região Norte, o calor predomina, especialmente no sudoeste do Pará, Rondônia e Acre, onde a chuva será escassa e a temperatura do ar ficará acima da média.
O norte do Amazonas é exceção, com previsão de acumulados de chuva superiores a 160 mm. Contudo, grande parte do território nortista terá precipitação abaixo do normal, o que tende a acentuar o estresse hídrico em culturas permanentes e pastagens.
No Nordeste, o padrão de chuvas será relativamente equilibrado, com volumes próximos à média em quase todos os estados. Ainda assim, o litoral norte da Bahia e o Rio Grande do Norte devem registrar déficit de precipitação, agravado por temperaturas mais elevadas.
O calor será constante na maior parte da região, com exceção de áreas mais altas no interior, onde os termômetros ainda podem indicar valores abaixo dos 20 °C em pontos isolados.
A Região Centro-Oeste será o epicentro do calor extremo. Em estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, as máximas podem ultrapassar 42 °C até a metade do mês. A seca persiste, com chuvas pontuais previstas apenas para a segunda quinzena, e mesmo assim, em volumes baixos.
Essa combinação é preocupante para culturas em fase de plantio, como a soja, que dependem de umidade para germinar e se desenvolver adequadamente.
Sudeste também deve enfrentar calor em setembro, e Sul terá chuvas acima da média
No Sudeste, as temperaturas sobem de forma mais comedida, mas ainda assim acima da média. Minas Gerais e interior de São Paulo sentirão o aquecimento mais intenso, enquanto o sul de Minas e o litoral fluminense terão temperaturas mais amenas.
A chuva será escassa no início do mês, com melhora prevista apenas no final de setembro. Para produtores rurais, o desafio será equilibrar a falta de umidade com o avanço da temporada agrícola.
Já o Sul do Brasil se destaca como a região com maiores volumes de chuva previstos para setembro. Santa Catarina e Rio Grande do Sul devem registrar precipitações acima da média, o que pode causar transtornos para culturas de inverno em fase de germinação, como trigo e aveia.
Em contrapartida, essas mesmas chuvas podem beneficiar lavouras já desenvolvidas e garantir uma boa colheita.
Assim, o Brasil entra em setembro sob a influência de um clima dividido: o calor forte retorna com força ao Centro-Oeste e Norte, enquanto o Sul e parte do Sudeste ainda enfrentam instabilidades típicas do final do inverno.





