María Branyas Morera, nascida em 4 de março de 1907 em São Francisco, Estados Unidos, se tornou uma referência mundial quando, em janeiro de 2023, aos 115 anos e 321 dias, foi reconhecida como a pessoa mais velha do mundo.
Ela não era apenas uma “superanciã”, mas uma supercentenária cujas células se comportavam como as de alguém mais jovem.
Branyas viveu praticamente um século e meio, mantendo saúde física e mental impressionantes. Mesmo após eventos emocionalmente dolorosos, como a perda de familiares próximos, ela preservou hábitos saudáveis, mantendo uma vida ativa e equilibrada.
Estudos científicos e a atenção dos pesquisadores
O interesse científico por María surgiu quando Manel Esteller, especialista em epigenética do câncer, soube da existência de uma supercentenária em Barcelona. Sua equipe iniciou um estudo detalhado, envolvendo coleta de sangue, urina, fezes e saliva, sempre de maneira minimamente invasiva.
O objetivo era entender como Branyas conseguiu alcançar uma idade tão avançada com boa saúde, desafiando a regra do envelhecimento associado a doenças graves, como câncer, diabetes e demência.
Idade biológica vs. idade cronológica
Um dos achados mais surpreendentes do estudo foi a discrepância entre a idade cronológica de María (117 anos) e sua idade biológica, que os cientistas estimaram em cerca de 94 anos, ou seja, 23 anos “mais jovem”.
Suas células demonstravam resistência ao desgaste natural, funcionando de maneira muito semelhante à de uma pessoa bem mais jovem.
Genética
Embora a genética tenha contribuído para a longevidade de María, ela herdou variantes que protegiam contra doenças cardiovasculares, demência e câncer, não houve um único gene responsável por sua vida longa. Sua longevidade saudável resultou de uma combinação de múltiplos fatores genéticos e ambientais.
Além disso, seu DNA apresentava variantes inéditas, que possivelmente tiveram papel na longevidade excepcional, reforçando a ideia de que a genética cria potencial, mas não determina o destino sozinho.
Estilo de vida
María destacou, pessoalmente, que sua longevidade também estava ligada a hábitos de vida equilibrados:
- Dieta mediterrânea com iogurte diário, baixo consumo de açúcares e gorduras ruins.
- Vida social ativa, mantendo relações familiares e amizades próximas.
- Contato constante com a natureza e atividades prazerosas, como jardinagem, leitura e tocar piano.
- Evitar excessos, álcool e tabaco.
- Atitude positiva e estabilidade emocional.
Esses fatores, combinados com uma predisposição genética favorável, criaram um cenário ideal para o envelhecimento saudável.
Sistema imunológico e inflamação
Um aspecto fundamental da longevidade de María foi seu perfil de baixa inflamação. Seu sistema imunológico funcionava de forma eficiente, combatendo microrganismos externos sem atacar o próprio organismo, prevenindo danos internos associados ao envelhecimento.
O estudo mostrou que María apresentava um dos metabolismos lipídicos mais eficientes já registrados: níveis baixos de triglicerídeos e colesterol VLDL, altos níveis de colesterol HDL (“bom”), além de níveis controlados de glicose.
Isso significa que suas artérias estavam livres de acúmulo de gordura e risco cardiovascular, outro fator-chave para uma vida longa e saudável.
María resumiu sua filosofia de vida dizendo que longevidade envolve “ordem, tranquilidade, boa conexão com a família e amigos, contato com a natureza, estabilidade emocional, ausência de preocupações e arrependimentos, atitude positiva e afastamento de pessoas tóxicas”.






