A NASA passou a apoiar financeiramente um projeto pioneiro que prevê a criação de moradias de vidro — e inclusive de centros urbanos completos — na Lua, utilizando como insumo principal o próprio regolito lunar, material que compõe a camada superficial do satélite. A proposta faz parte de uma estratégia voltada à busca de alternativas sustentáveis para viabilizar a permanência humana em missões espaciais de longa duração.
A ideia consiste em submeter esse material a temperaturas extremamente elevadas, entre 1.500 °C e 2.000 °C, promovendo sua fusão até atingir o estado de vidro líquido. Esse composto seria então moldado em estruturas esféricas, transparentes e altamente resistentes, projetadas para funcionar como ambientes habitáveis em solo lunar.
Casas de vidro na Lua
A iniciativa figura entre os 15 projetos escolhidos em janeiro para integrar o programa NIAC (NASA Innovative Advanced Concepts) de 2025, que tem como objetivo impulsionar propostas inovadoras com capacidade de redefinir os rumos da exploração espacial.
Para viabilizar o desenvolvimento dessas ideias, a NASA reservou um aporte total de até US$ 2,625 milhões — cerca de R$ 14 milhões — destinado ao financiamento de pesquisas em estágio inicial, que poderão evoluir futuramente para missões concretas ou aplicações tecnológicas de caráter comercial.
Cidade lunar
Segundo o arquiteto Martin Bermudez, diretor-executivo da empresa californiana Skyeports e responsável pelo projeto, a baixa gravidade lunar favorece a formação natural de estruturas esféricas, enquanto a adição de elementos como titânio, magnésio e cálcio aumenta consideravelmente a resistência do material, podendo torná-lo mais durável que o aço.
A proposta consiste na criação de habitats autossustentáveis de grande porte, capazes de proteger astronautas da radiação e de viabilizar moradia, trabalho, cultivo de alimentos e produção de água. Embora os primeiros protótipos ainda sejam reduzidos, a meta é desenvolver grandes estruturas interligadas por passarelas de vidro, organizadas em complexos urbanos lunares.
Na avaliação do arquiteto, essa proposta representa um passo relevante rumo à ocupação contínua do espaço, aproximando a humanidade da concepção de ambientes habitáveis além do planeta e ampliando suas fronteiras de presença no universo.






