Os ataques registrados nos últimos dias nas praias de Boa Viagem, no Recife, e Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, reacenderam o debate sobre a presença de tubarões no litoral pernambucano.
Os casos recentes ocorreram em duas das áreas que historicamente concentram o maior número de ocorrências no estado.
Juntas, Boa Viagem e Piedade reúnem mais da metade dos 84 incidentes contabilizados em Pernambuco desde 1992.
Boa Viagem lidera o levantamento, com 25 registros, seguida por Piedade, que acumula 24 ocorrências ao longo do período.
Incidentes com tubarões em Pernambuco
Primeiro ataque oficialmente reconhecido na Região Metropolitana do Recife ocorreu em 28 de junho de 1992, na praia de Piedade. Foram registrados:
- 3 incidentes em 1992;
- 3 incidentes em 1993;
- 10 incidentes em 1994, consolidando o início do fenômeno.
Desde então, Pernambuco tornou-se a região com a maior concentração de incidentes com tubarões do país.
Mais de 90% dos casos ocorreram em um trecho de aproximadamente 20 quilômetros entre Recife e Jaboatão dos Guararapes.
Fatores que influenciam
Fatores geográficos e ambientais:
- Proximidade dos rios Capibaribe, Beberibe e Jaboatão, que transportam matéria orgânica para o oceano.
- Presença de canais profundos próximos à faixa de areia.
- Recifes fragmentados que facilitam a circulação dos tubarões.
- Águas frequentemente turvas, especialmente em períodos de chuva e maré alta, reduzindo a visibilidade dos animais.
Influência da atividade humana:
- Pesca intensiva, principalmente de crustáceos.
- Degradação ambiental e redução da biodiversidade marinha.
- Presença de áreas de descarte de resíduos ao longo das últimas décadas.
- Alterações ambientais provocadas pela implantação e expansão do Complexo Industrial Portuário de Suape.
Impactos do Porto de Suape:
- Modificação de áreas de manguezal que funcionavam como berçários naturais de espécies como o tubarão-cabeça-chata.
- Mudanças na distribuição e no comportamento dos animais.
- Aumento do tráfego marítimo e das atividades portuárias apontado como um dos fatores associados ao crescimento dos incidentes.
Embora o debate científico permaneça aberto, o consenso entre os especialistas é que não existe uma única causa para a concentração dos incidentes.






