Os critérios utilizados para diagnosticar deficiência de ferro em mulheres vêm sendo revisados na literatura médica internacional.
Durante décadas, o valor mais adotado na prática clínica como ponto de corte para ferritina foi de 15 ng/mL, referência usada para indicar estoques reduzidos de ferro no organismo.
Mais recentemente, propostas da American Society of Hematology (ASH) indicam uma possível atualização desse parâmetro, com sugestão de elevação para 30 ng/mL em pessoas que menstruam.
A discussão surge a partir de novas evidências que questionam se o limite tradicional pode subestimar casos de deficiência de ferro em determinados grupos.
Novo limite para anemia
Essa proposta ainda não foi consolidada como diretriz oficial. O material divulgado pela ASH em 2025 corresponde a um documento preliminar, submetido a consulta pública entre setembro e outubro daquele ano, o que o coloca em uma fase intermediária do processo de elaboração de recomendações clínicas.
No texto em discussão, a entidade sugere a substituição do limite tradicional de 15 ng/mL por 30 ng/mL como referência mais adequada para identificação de deficiência de ferro.
O documento também prevê cenários específicos em que valores mais altos podem ser considerados, como em casos de menstruação intensa, planejamento de gestação, cirurgia programada ou presença de sintomas persistentes, chegando a indicar até 50 ng/mL como parâmetro mais seguro para avaliação clínica.
Debate científico
A discussão sobre a revisão dos critérios diagnósticos está ligada à preocupação com o possível subdiagnóstico da deficiência de ferro, especialmente em mulheres em idade reprodutiva.
Estudos recentes indicam que níveis de ferritina abaixo de 30 μg/L podem já representar redução significativa das reservas de ferro, mesmo sem anemia.
Entre os sintomas mais associados estão fadiga persistente, dificuldade de concentração, sensação de “névoa mental” e recuperação física mais lenta. Apesar dessas evidências, ainda não há consenso internacional.
Em 2026, a atualização da ASH segue em andamento, enquanto outras sociedades médicas mantêm pontos de corte variáveis, geralmente entre 25 e 30 ng/mL, conforme o contexto clínico e os sintomas apresentados.






