A popularização das cafeteiras de cápsula nos últimos anos, impulsionada pela praticidade e pelo apelo sofisticado de marcas como Nespresso e Dolce Gusto, intensificou discussões sobre os possíveis impactos ambientais e efeitos à saúde relacionados ao consumo desse tipo de produto.
Estudos recentes indicam que o preparo do café em máquinas de cápsula pode liberar milhares de partículas microscópicas de plástico diretamente na bebida.
Uma pesquisa publicada em 2023 na revista científica Environmental Science & Technology apontou que cafeteiras de cápsula podem liberar entre 13 mil e 25 mil partículas de microplástico por litro de café preparado.
Microplásticos nas capsulas de café
Liberação de microplásticos
- Pesquisadores afirmam que a combinação de água entre 85 °C e 95 °C com alta pressão favorece a liberação de microplásticos durante o preparo do café.
- A água passa por peças plásticas da máquina, como reservatório, tubos, bico de saída e cápsula.
- O calor e a pressão aceleram o desgaste microscópico desses materiais.
Cápsulas como principal fonte
- As cápsulas concentram a maior parte da contaminação, segundo os pesquisadores.
- Durante o preparo, a perfuração da cápsula provoca desgaste no plástico e na membrana de alumínio.
- Partículas de plástico e alumínio podem ser transferidas para a bebida.
Outros métodos industrializados
- Um estudo da Food Chemistry identificou microplásticos também em sachês de café drip bag.
- Pesquisadores estimam que o uso contínuo desses filtros pode resultar na ingestão acumulada de mais de 50 mil partículas ao longo do tempo.
Materiais identificados
- Entre os materiais encontrados estão polietileno (PE), polipropileno (PP), poliéster (PET) e rayon.
- Especialistas afirmam que o contato prolongado entre água quente e plástico acelera a degradação desses materiais.
Consenso e redução da exposição
Apesar das descobertas, ainda não existe consenso científico definitivo sobre quais níveis de microplásticos representam risco direto à saúde humana.
Pesquisas recentes investigam possíveis efeitos inflamatórios, toxicológicos e a capacidade dessas partículas nanométricas atravessarem células intestinais e alcançarem a corrente sanguínea.
Para reduzir a exposição a microplásticos, pesquisadores recomendam métodos de preparo com menor contato entre água quente e plástico, como cafeteiras French press de vidro e aço inox, coadores de papel e cafeteiras italianas sem componentes plásticos aquecidos.






