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Estudo expõe problema silencioso enfrentado por milhões de mulheres no Brasil

Por Yasmin Henrique
21/05/2026
Em Geral
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Estudo expõe problema silencioso enfrentado por milhões de mulheres no Brasil

(Foto: reprodução/pikisuperstar/Freepik)

Desenvolvido pela Vital Strategies Brasil em parceria com o FrameNet Brasil, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e com apoio do Instituto Alana, um estudo analisou a forma como dores menstruais e pélvicas são registradas nos sistemas clínicos da rede pública de saúde.

Para isso, foram analisados dados de mais de 469 mil meninas e mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2016 e 2025, no município de Recife (PE).

O levantamento cruzou informações de diferentes bases do SUS, incluindo o e-SUS, voltado à atenção primária, o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e o Sinan, responsável pelos registros de notificações de violência.

Dores ignoradas das mulheres

Metodologia do estudo

  • Uso de inteligência artificial e processamento de linguagem natural.
  • Análise de códigos oficiais de diagnóstico e de campos abertos dos prontuários médicos.
  • Leitura automatizada de descrições livres registradas por profissionais de saúde.

Principais resultados

  • Forte subnotificação de dores menstruais e pélvicas nos sistemas formais de saúde.
  • Registros por CIDs representam apenas 0,5% dos casos.
  • Com análise por inteligência artificial, índice sobe para cerca de 9%.
  • Metodologia identificou aproximadamente 21 vezes mais ocorrências do que os sistemas tradicionais.

Fragilidades nos registros clínicos

  • Menos de 5% dos prontuários continham detalhes sobre intensidade, frequência e duração da dor.
  • Baixa padronização das informações clínicas.
  • Subnotificação contribui para invisibilidade dessas condições no sistema de saúde.

Associação com violência interpessoal

  • Mulheres com histórico de dor pélvica apresentaram maior probabilidade de registros relacionados à violência interpessoal.
  • Dados sugerem relação entre condições de saúde e contextos de vulnerabilidade social.
  • Estudo aponta possíveis falhas na escuta e no registro adequado desses atendimentos.

Como mudar a situação?

Especialistas envolvidos na pesquisa defendem maior qualificação de profissionais de saúde, fortalecimento da escuta clínica e criação de linhas de cuidado voltadas à saúde menstrual.

Para os pesquisadores, a ausência de registros adequados contribui para uma invisibilidade institucional que dificulta a elaboração de políticas públicas mais eficazes.

O estudo integra uma linha de pesquisas que utiliza dados do SUS combinados com inteligência artificial para identificar padrões pouco visíveis nos sistemas tradicionais, incluindo análises sobre violência de gênero e detecção de riscos em saúde pública.

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Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita.

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