Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) indica que parte relevante dos resíduos plásticos recicláveis separados nas residências não é, de fato, reaproveitada.
De acordo com o estudo, entre 30% e 36% das embalagens plásticas recolhidas por cooperativas da Região Metropolitana de São Paulo são descartadas como rejeitos e encaminhadas a aterros sanitários, devido a limitações técnicas ou à inviabilidade econômica do processo de reciclagem.
O estudo aponta que a principal dificuldade está na própria estrutura das embalagens, frequentemente produzidas com diferentes tipos de materiais combinados, camadas múltiplas, colas e substâncias químicas.
Essa composição complexa dificulta a separação adequada dos componentes e aumenta os custos industriais, o que, em muitos casos, inviabiliza o reaproveitamento do material.
Plásticos que não são reciclados
- Materiais mais problemáticos: Embalagens de salgadinhos, café, biscoitos e sachês estão entre as mais difíceis de reciclar, por reunirem diferentes tipos de plástico e, em alguns casos, camadas metálicas que dificultam o reaproveitamento.
- Viabilidade econômica da reciclagem: Mesmo quando há possibilidade técnica de reciclagem, o processo muitas vezes não se sustenta economicamente. Os custos de triagem, limpeza e processamento podem superar o valor de revenda do material reciclado.
- Impacto nas cooperativas: As cooperativas de reciclagem são diretamente afetadas, já que assumem custos operacionais adicionais. Catadores precisam separar materiais sem valor comercial e ainda lidar com o transporte e descarte dos rejeitos.
- Problema no design das embalagens: Pesquisadores apontam que a dificuldade não está apenas no consumidor, mas também no design das embalagens, que muitas vezes prioriza conservação, praticidade e marketing em vez da reciclabilidade.
Soluções apontadas
Diante desse cenário, especialistas defendem o fortalecimento da responsabilidade estendida do produtor, com maior envolvimento das empresas em todas as etapas do ciclo das embalagens, desde a produção até a coleta e a destinação final, alinhado aos princípios da economia circular.
O estudo também aponta que a solução passa por transformações estruturais no modelo produtivo, com incentivo ao chamado “design para reciclagem”, que prioriza a simplificação dos materiais e facilita o reaproveitamento.
Além disso, são destacadas práticas de consumo mais consciente, como a escolha por embalagens mais simples e o apoio a empresas que adotam sistemas de logística reversa.





