A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou, em decisão de caráter urgente, a proibição e apreensão de uma série de medicamentos fitoterápicos comercializados irregularmente no Brasil.
A medida, anunciada nesta segunda-feira (13), atinge produtos amplamente vendidos pela internet e que não possuem registro, notificação ou qualquer tipo de autorização sanitária.
A resolução impede, de forma imediata, a fabricação, comercialização, distribuição, importação, propaganda, transporte e uso dos itens listados. Segundo a agência, os produtos eram produzidos por empresas desconhecidas, sem controle de qualidade ou comprovação de segurança.
Produtos à base de plantas lideram lista de irregularidades
Entre os principais alvos da operação estão compostos conhecidos popularmente por prometer alívio de dores articulares, especialmente os derivados de “Canela de Velho”, muitas vezes associados à sucupira e ao cloreto de magnésio.
A Anvisa identificou diversas variações desses produtos, comercializados com nomes diferentes, mas com características semelhantes. A estratégia, de acordo com a agência, pode indicar tentativa de ampliar a distribuição no mercado sem cumprir exigências regulatórias.
Sem registro oficial, não há garantias sobre a composição dos produtos, o que pode expor consumidores a riscos desconhecidos.
Venda online amplia alcance de produtos ilegais
A investigação aponta que a maior parte das vendas ocorria por meio de plataformas digitais. Anúncios com apelos terapêuticos e promessas de cura rápida eram utilizados para atrair consumidores, muitas vezes sem qualquer respaldo científico.
A ausência de fiscalização imediata nesses canais facilita a circulação de substâncias irregulares, dificultando o controle por parte das autoridades sanitárias.
Anvisa identifica medicamento adulterado no mercado
Além dos fitoterápicos, a agência também determinou a apreensão de um lote do medicamento Mounjaro, após a constatação de adulteração.
De acordo com a fabricante Eli Lilly do Brasil Ltda, a embalagem do produto é original, porém destinada a mercados internacionais. Já o conteúdo interno apresentava rótulos falsificados, incompatíveis com os registros oficiais da empresa.
A irregularidade levanta preocupação devido ao risco direto à saúde, já que se trata de um medicamento de uso controlado e aplicação injetável.
Lotes falsificados de toxina botulínica são apreendidos
A operação também alcançou unidades da toxina botulínica Dysport. Lotes específicos foram identificados como falsificados e retirados de circulação.
A empresa Beaufour Ipsen Farmacêutica Ltda informou que os produtos apreendidos não correspondem aos lotes originais, apresentando falhas e inconsistências em relação ao padrão legítimo.
O uso de substâncias falsificadas desse tipo pode causar efeitos adversos graves, especialmente em procedimentos médicos e estéticos.
Risco à saúde pública motiva ação emergencial
Segundo a Anvisa, a ausência de controle sanitário, aliada à origem desconhecida dos produtos, representa um risco significativo à saúde pública. Sem testes adequados, não é possível garantir eficácia, segurança ou mesmo a composição correta das substâncias.
A agência reforça que produtos classificados como “naturais” também devem seguir normas rigorosas antes de serem disponibilizados ao consumidor.
Orientação é redobrar atenção na compra de medicamentos
Diante do cenário, a recomendação das autoridades é que consumidores verifiquem sempre a regularidade de medicamentos e suplementos antes da compra. Produtos sem registro ou vendidos por canais não confiáveis devem ser evitados.
A Anvisa orienta ainda que qualquer suspeita de irregularidade seja comunicada aos órgãos competentes, como forma de fortalecer a fiscalização e evitar novos casos.





