A Americanas protocolou junto à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro o pedido de encerramento da recuperação judicial, alegando ter cumprido todas as obrigações do plano homologado.
O pedido inclui a companhia principal e subsidiárias, como a B2W Digital Lux e outras unidades da reestruturação.
O anúncio impulsionou as ações em cerca de 20%, refletindo a percepção de que a empresa pode estar superando uma das fases mais críticas de sua história.
Apesar da melhora financeira, analistas alertam que a Americanas precisará se esforçar para se manter competitiva diante de concorrentes que cresceram rapidamente durante sua recuperação.
Processo para sair da recuperação judicial
A Americanas vendeu a rede de franquias Uni.Co por R$ 152,9 milhões e segue no processo de alienação da rede de hortifrutis.
O número de lojas caiu de mais de 1.600 em 2022 para 1.470 em 2025, sendo 906 convencionais e 564 express, e a fintech Ame Digital foi desativada.
A empresa passou a priorizar lojas físicas e atendimento ao cliente, com vendas online caindo de 54% para 5%. Foram reformadas 54 unidades, lançadas 21 novas linhas de produtos, criado um cartão de crédito com 500 mil emissões e relançado o programa de fidelidade.
O plano de revitalização inclui ainda parcerias estratégicas, como a store in store com WePink e colaboração digital com o Magazine Luiza.
Crise da Americanas
- Início da crise: Janeiro de 2023, com revelação de inconsistências contábeis de aproximadamente R$ 20 bilhões, posteriormente tratadas como fraude.
- Investigações: Polícia Federal, Ministério Público Federal, CVM e uma CPI no Congresso para apurar responsabilidades e falhas de governança.
- Impacto no mercado: Perda de cerca de 90% do valor de mercado em dois anos e queda expressiva nas vendas.
- Procedimentos legais: Abertura de processos arbitrais para responsabilização de ex-executivos, com pedidos de indenização milionários.
- Situação financeira (2025): Caixa líquido positivo de R$ 488 milhões e dívidas de longo prazo restantes, resultando em dívida líquida de aproximadamente R$ 46 milhões.
Apesar da reorganização, a fraude contábil de mais de R$ 25 bilhões ainda é investigada, e investidores minoritários continuam buscando ressarcimento.






