Uma tendência iniciada na China e impulsionada por vídeos virais em plataformas como o TikTok tem chamado a atenção de especialistas em saúde. Jovens e adultos passaram a exibir o uso de chupetas, tradicionalmente associadas à infância, como suposto recurso para aliviar estresse, ansiedade e até insônia.
A prática rapidamente ultrapassou fronteiras e ganhou adeptos em diferentes países, acumulando milhões de visualizações nas redes sociais.
Embora os relatos nas plataformas digitais associem o hábito a uma sensação imediata de relaxamento, profissionais das áreas de odontologia, psicologia e psiquiatria alertam para possíveis consequências físicas e emocionais.
Adultos usando chupetas
Do ponto de vista psicológico:
- Interpretação como mecanismo de regressão emocional, associado à busca simbólica por segurança e conforto da infância.
- Estímulo à liberação de neurotransmissores como serotonina e dopamina, gerando sensação momentânea de bem-estar.
- Possibilidade de mascarar a origem do sofrimento psíquico.
- Risco de substituir estratégias mais eficazes de enfrentamento, como psicoterapia e técnicas estruturadas de regulação emocional.
Na esfera odontológica:
- Potencial desalinhamento dentário.
- Alterações na mordida, incluindo mordida aberta ou cruzada.
- Modificações nos arcos dentários em razão da pressão contínua.
- Comprometimento da articulação temporomandibular, com dor, estalos e limitação de movimento.
- Alterações na deglutição e no posicionamento da língua.
- Impactos na fala.
- Maior propensão ao acúmulo de placa bacteriana, cáries e inflamações gengivais.
- Possibilidade de respiração bucal inadequada.
- Maior vulnerabilidade a infecções orais e respiratórias.
- Ausência de estudos científicos controlados que comprovem benefícios terapêuticos do uso por adultos.
- Riscos bucais considerados plausíveis com base em evidências sobre pressão mecânica prolongada na arcada dentária.
O mercado respondeu rapidamente com a oferta de versões adaptadas ao tamanho da boca adulta e campanhas que prometem relaxamento e melhora do sono, alegações que, segundo especialistas, carecem de respaldo científico.






