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Nova licença: entenda a ampliação da licença aprovada pelo Senado

Por Leticia Florenço
09/03/2026
Em Mais Tendências, Colunas
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Nomes de bebês - Reprodução/iStock

Nomes de bebês - Reprodução/iStock

A ampliação da licença-paternidade no Brasil acaba de ganhar um novo capítulo no Congresso Nacional. O Senado Federal aprovou um projeto de lei que amplia gradualmente o período de afastamento dos pais após o nascimento ou adoção de um filho.

A proposta agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representa uma mudança importante nas políticas de cuidado e proteção social no país.

A iniciativa busca reconhecer que o cuidado com os filhos não é apenas responsabilidade das mães. Com a nova legislação, o Brasil começa a caminhar para um modelo mais equilibrado de divisão de responsabilidades familiares, reforçando a participação dos pais nos primeiros dias de vida da criança.

Ampliação gradual da licença-paternidade

Atualmente, a licença-paternidade garantida pela legislação brasileira é de apenas cinco dias para a maioria dos trabalhadores. O novo projeto estabelece um processo de ampliação progressiva desse período ao longo dos próximos anos. O cronograma aprovado prevê:

  • 2027: Licença ampliada para 10 dias
  • 2028: Licença ampliada para 15 dias
  • 2029: Licença ampliada para 20 dias

Essa implementação gradual foi considerada uma alternativa para permitir que o sistema previdenciário e o mercado de trabalho se adaptem às novas regras sem provocar impactos fiscais imediatos.

Origem da mudança na legislação

A discussão sobre a ampliação da licença-paternidade ganhou força após decisão do Supremo Tribunal Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão nº 20/DF. Em 2023, o tribunal reconheceu que o Congresso ainda não havia regulamentado plenamente o direito previsto na Constituição.

A partir dessa decisão, o Parlamento passou a discutir formas de atualizar a legislação. O relatório final do projeto foi apresentado pela senadora Ana Paula Lobato, que defendeu a ampliação gradual como forma de equilibrar demandas sociais e responsabilidade fiscal.

Salário-paternidade pago pela Previdência

Outro ponto importante da proposta é a criação do salário-paternidade, que será pago pelo governo por meio do sistema previdenciário.

O benefício será custeado pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS), administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Na prática, isso significa que o trabalhador continuará recebendo sua remuneração integral durante o período de afastamento, sem que o empregador tenha que arcar sozinho com esse custo.

Segundo especialistas, essa medida reduz possíveis resistências das empresas à contratação de trabalhadores que possam se afastar temporariamente para cuidar de seus filhos.

Situações especiais previstas na nova lei

O texto aprovado também estabelece regras específicas para situações que exigem maior proteção social. Entre elas estão casos envolvendo crianças com deficiência ou famílias em condições vulneráveis. As principais previsões incluem:

  • Filhos com deficiência: Acréscimo de um terço no tempo total da licença.
  • Adoção: O benefício será garantido a pais adotantes ou responsáveis com guarda judicial para fins de adoção.
  • Falecimento da mãe: O pai poderá manter o benefício para garantir cuidados à criança.
  • Parto antecipado: A licença também será preservada nessas circunstâncias.

Essas medidas ampliam o alcance da política pública, garantindo que diferentes configurações familiares tenham acesso à proteção.

Regras para evitar abusos

A legislação também inclui dispositivos para evitar que o benefício seja concedido em situações incompatíveis com o objetivo da política pública. O projeto prevê que a licença poderá ser suspensa ou negada caso haja comprovação de:

  • Violência doméstica praticada pelo pai;
  • Abandono material;
  • Outras situações que comprometam a segurança da mãe ou da criança.

Essas regras buscam assegurar que o benefício seja utilizado exclusivamente para promover o cuidado e o bem-estar familiar.

Política Nacional de Cuidados

A ampliação da licença-paternidade está diretamente ligada à chamada Política Nacional de Cuidados, iniciativa coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

O objetivo dessa política é reorganizar o sistema de cuidados no país, reconhecendo que atividades como criar filhos, cuidar de idosos e apoiar pessoas com deficiência têm impacto direto na economia e na qualidade de vida da população.

A proposta também está alinhada às diretrizes da Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família, que trabalha na implementação de programas voltados à valorização do cuidado como responsabilidade compartilhada entre Estado, famílias e sociedade.

Um avanço ainda considerado inicial

Apesar de ser considerada um avanço importante, a ampliação da licença-paternidade ainda é vista por especialistas como um passo inicial. Em diversos países europeus, por exemplo, os pais já possuem direito a períodos muito mais longos de afastamento remunerado.

Mesmo assim, a nova legislação representa um marco na evolução das políticas familiares no Brasil, aproximando o país de modelos que reconhecem o cuidado como uma responsabilidade coletiva e fundamental para o desenvolvimento social.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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