Após cerca de oito décadas afastados da região, os guarás (Eudocimus ruber), conhecidos como íbis-vermelhas, retornaram à Baía de Guaratuba, no litoral paranaense, com uma população atual estimada em mais de 4 mil aves. O vibrante tom vermelho de suas penas destaca-se na paisagem, reafirmando o status da espécie como símbolo local.
O reaparecimento dos guarás é interpretado como um sinal positivo da saúde ambiental dos manguezais e áreas estuarinas, habitats essenciais para alimentação, abrigo e descanso. A ilha de Guaratuba, principal ponto de repouso da espécie, atrai visitantes que buscam observar as revoadas, especialmente no final da tarde.
Retorno da ave
O retorno da ave tem fomentado o turismo sustentável e fortalecido a economia local. O Instituto Guaju, junto a instituições parceiras, oferece cursos para capacitar condutores locais em ecoturismo, pesca esportiva e observação de aves.
Essas iniciativas promovem a valorização da cultura caiçara, geram renda para a comunidade e contribuem para a preservação dos guarás e dos manguezais, fundamentais para o equilíbrio ecológico da região.
A espécie apresenta ampla distribuição ao longo dos manguezais e zonas costeiras do Brasil, além de estar presente em outros países da América do Sul, como Colômbia, Venezuela e Guianas. A intensa coloração vermelha de suas penas é resultado de uma dieta rica em carotenoides.
Casos semelhantes
Casos semelhantes de retorno ou reintrodução de espécies no Brasil reforçam a importância da conservação e do monitoramento ambiental. Entre eles destacam-se:
- Sagui-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus): considerado extinto por cerca de 65 anos, foi redescoberto em 1970 em São Paulo e segue protegido em áreas do Morro do Diabo.
- Saíra-apunhalada (Cherry-throated tanager): desaparecida por mais de 100 anos na Mata Atlântica, foi redescoberta em 1998 no Espírito Santo.
- Camundongo arborícola brasileiro (Rhagomys rufescens): não registrado por mais de um século, reapareceu em fragmentos florestais do sudeste do país.
- Alagoas curassow (Pauxi mitu): extinto na natureza, tem sido alvo de programas de reprodução e reintrodução na Mata Atlântica nordestina.
- Cachorro-do-mato (Speothos venaticus): recentemente registrado em Minas Gerais pela primeira vez desde o século XIX, demonstrando que espécies raras podem reaparecer em áreas protegidas.
Esses episódios evidenciam que, mesmo após longos períodos de ausência, espécies podem retornar naturalmente ou por meio de programas de conservação, reforçando a necessidade de preservação de habitats e ações educativas voltadas ao equilíbrio ecológico.






