O crescimento acelerado da miopia devido aos hábitos das pessoas nas últimas décadas é tema de um estudo conduzido por cientistas do SUNY College of Optometry, nos Estados Unidos, liderado pelo professor Jose-Manuel Alonso. A pesquisa será publicada na revista Cell Reports.
O trabalho propõe uma nova interpretação para o avanço global da condição. Segundo os autores, o aumento dos casos pode estar menos relacionado ao tempo de tela e mais ao hábito de realizar atividades de perto em ambientes internos com pouca iluminação, o que reduz significativamente a luz que alcança a retina.
A hipótese central aponta que, ao focar em objetos próximos, sobretudo sob luz fraca, a pupila se contrai intensamente para manter a nitidez. Essa contração excessiva diminuiria a estimulação luminosa da retina, podendo contribuir para o desenvolvimento da miopia.
Hábito que piora a visão
- Mecanismo proposto — A miopia pode surgir quando a baixa iluminação retiniana não gera atividade neural suficiente, devido à combinação de foco prolongado de perto e ambientes pouco iluminados.
- Contração pupilar excessiva — Em pouca luz, ao focar objetos próximos, a pupila se contrai intensamente para garantir nitidez, reduzindo ainda mais a luz que atinge a retina.
- Diferença da luz solar — Sob luz solar intensa, a pupila também se contrai, mas a alta luminosidade mantém adequada estimulação retiniana — cenário distinto dos ambientes internos escuros.
- Impacto de lentes negativas — Lentes negativas e acomodação prolongada aumentam a contração pupilar, agravando a redução da iluminação retiniana.
- Hipótese unificadora — O modelo explica diferentes fatores já conhecidos:
- Tempo ao ar livre: efeito protetor pela maior luminosidade.
- Atropina e lentes multifocais: reduzem acomodação excessiva.
- Trabalho de perto com pouca luz: combina os elementos que favorecem a progressão da miopia.
Mais análises
Sem negar o papel da herança genética e sem responsabilizar diretamente o uso de telas pelo avanço da miopia, a pesquisa propõe um modelo fisiológico passível de verificação científica, que pode embasar novas abordagens de prevenção e manejo da condição.
Ainda assim, os autores ressaltam que a hipótese demanda confirmação por estudos adicionais, capazes de comprovar, de forma empírica, os efeitos da iluminação e do esforço visual de perto em distintas idades e ambientes.






