O mercado de extensões de cabelo deve superar US$ 14 bilhões até 2028, liderado pelos Estados Unidos. Apesar da popularidade, a segurança química desses produtos é pouco fiscalizada.
Uma pesquisa realizada pelo Silent Spring Institute e divulgada na revista Environment & Health, da American Chemical Society, avaliou 43 extensões de cabelo populares, adquiridas em lojas físicas e pela internet.
Embora muitos produtos sejam anunciados como resistentes ao calor, à água ou não tóxicos, as análises laboratoriais indicaram que as empresas raramente informam quais substâncias químicas são aplicadas na fabricação.
Perigos das extensões de cabelo
As análises realizadas abrangeram extensões sintéticas, produzidas a partir de diferentes tipos de plásticos, e extensões biológicas, incluindo cabelo humano, seda e fibras de banana.
A equipe de pesquisa aplicou métodos de análise não direcionada, capazes de rastrear uma ampla variedade de compostos, e detectou mais de 900 sinais químicos, identificando 169 substâncias distintas distribuídas em nove categorias principais.
Entre esses compostos, estavam aqueles utilizados para aumentar a flexibilidade dos fios, reduzir a inflamabilidade e prolongar a durabilidade das extensões, muitos deles previamente associados a alterações hormonais, câncer, irritações cutâneas e impactos no sistema imunológico.
Dos 43 produtos analisados, 41 apresentaram pelo menos uma substância considerada potencialmente perigosa à saúde. Entre esses químicos, 48 estão listados internacionalmente como de risco à saúde, e 12 fazem parte da Proposição 65 da Califórnia, que reúne agentes relacionados a câncer, malformações fetais ou danos reprodutivos.
Alertas
Os pesquisadores alertam que o uso diário de extensões apresenta risco à saúde, pois os produtos permanecem em contato prolongado com couro cabeludo, pescoço e rosto, e o calor de secadores e chapinhas pode liberar químicos no ar.
O estudo mostra que a questão vai além da estética, configurando um tema de saúde pública. A popularidade, a baixa regulamentação e a presença de substâncias tóxicas reforçam a necessidade de regras mais rigorosas e maior transparência da indústria, permitindo que mulheres expressem estilo e cultura sem comprometer a saúde.






