Estudos científicos apontam que o tabagismo resulta de uma interação complexa entre fatores biológicos, sociais e ambientais, sendo que a predisposição genética responde por uma parcela relevante da vulnerabilidade ao hábito, variando conforme aspectos como iniciação, dependência de nicotina e cessação.
Nesse contexto, pesquisadores da Unifesp, em colaboração com a Yale University, conduzem um estudo para mapear a arquitetura genética do tabagismo em populações latino-americanas, ainda pouco representadas em pesquisas genômicas globais.
Genética do tabagismo
Resultados iniciais do estudo foram divulgados no periódico European Neuropsychopharmacology. A pesquisa emprega estudos de associação genômica ampla (GWAS), combinados a metanálises, para investigar diferentes fenótipos ligados ao tabagismo, como padrões de uso, nível de dependência e resposta biológica à nicotina.
O projeto integra bases genéticas e clínicas provenientes de 12 países latino-americanos, entre eles o Brasil, e busca estabelecer métodos padronizados para integrar e comparar dados genéticos e características comportamentais.
Essa padronização é considerada essencial diante da elevada diversidade genética da América Latina, marcada pela mistura de ancestralidades europeia, africana e indígena, fator que pode influenciar a manifestação genética relacionada ao hábito de fumar.
Os genes CHRNA5, CHRNA3 e CHRNB4, localizados no cromossomo 15q25, estão entre os mais associados à dependência de nicotina, pois codificam subunidades de receptores nicotínicos ligados ao sistema de recompensa cerebral. Estudos de GWAS indicam que variações nesses genes influenciam tanto a probabilidade de iniciar o tabagismo quanto o nível de dependência.
Recorte da América Latina
Segundo os cientistas que integram a iniciativa focada na América Latina, aumentar a representatividade populacional em pesquisas genéticas é decisivo para aprimorar políticas de prevenção, desenvolver abordagens terapêuticas mais individualizadas para parar de fumar e enfrentar disparidades em saúde pública.
Nesse cenário, o consórcio continua convidando grupos de pesquisa que disponham de coortes com informações genéticas e dados fenotípicos associados ao tabagismo, com o objetivo de ampliar o volume e a qualidade das evidências científicas sobre os fatores biológicos que influenciam o comportamento de fumar em diferentes contextos populacionais.






