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É o fim da tilápia no Brasil? Vírus é encontrado em peixe muito consumido

Por Leticia Florenço
08/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Tilápia - Reprodução/Unsplash

Tilápia - Reprodução/Unsplash

A tilápia, presença constante na mesa dos brasileiros, passou a ocupar o centro de um debate que vai muito além da alimentação. A possível entrada do Tilapia Lake Virus (TiLV) no Brasil acendeu um sinal de alerta entre produtores, autoridades e entidades do setor aquícola.

Embora o consumo do peixe continue seguro para a população, os riscos para a produção nacional são considerados sérios e podem provocar mudanças profundas a partir de 2026.

O que é o Tilapia Lake Virus e por que ele preocupa tanto

O TiLV é um vírus altamente contagioso que afeta exclusivamente a tilápia, provocando altas taxas de mortalidade nos criadouros. Países que já enfrentaram surtos relatam prejuízos econômicos expressivos, queda na produção e dificuldades para controlar a disseminação da doença.

No Brasil, especialmente em São Paulo, o vírus ainda não foi identificado, o que torna a prevenção a principal estratégia para evitar danos irreversíveis à piscicultura.

Importações do Vietnã entram no centro da discussão

O Vietnã é um dos maiores exportadores de filé de tilápia do mundo e também um dos países onde o vírus já foi registrado.

A importação desse produto passou a ser vista com cautela, pois existe o receio de que falhas na fiscalização ou no descarte de resíduos possam facilitar a introdução do patógeno em território nacional.

O risco, mesmo que indireto, é considerado suficiente para justificar medidas preventivas mais rígidas.

Pedido da piscicultura paulista pode mudar o cenário

Em fevereiro, a Associação Brasileira da Piscicultura apresentou ao governo de São Paulo um pedido formal para a suspensão da importação do filé de tilápia vietnamita.

A proposta tem como objetivo proteger os plantéis locais e preservar o avanço sanitário conquistado pelo estado nos últimos anos. O encontro com a Secretaria de Agricultura reforçou que a prevenção é menos custosa do que lidar com um eventual surto instalado.

Santa Catarina como exemplo de prevenção sanitária

Santa Catarina já adotou uma postura mais restritiva e proibiu o comércio de tilápia oriunda do Vietnã, baseando sua decisão em critérios sanitários.

A experiência catarinense passou a ser usada como referência nacional, mostrando que medidas antecipadas podem evitar prejuízos muito maiores no futuro. Produtores paulistas esperam que o mesmo caminho seja seguido.

A desigualdade tributária que pressiona os produtores locais

Além do risco sanitário, o setor enfrenta um problema econômico relevante. Enquanto a tilápia produzida em São Paulo e em outros estados brasileiros é tributada com ICMS, o filé importado do Vietnã entra no país isento do imposto.

Essa diferença cria uma concorrência considerada desleal, dificultando a sobrevivência de produtores nacionais e colocando empregos em risco.

Impactos econômicos vão além da produção de peixes

São Paulo é o segundo maior produtor de tilápia do Brasil, atrás apenas do Paraná. Qualquer abalo no setor pode gerar efeitos em cadeia, como fechamento de indústrias de processamento, redução de investimentos e perda de postos de trabalho.

Sem ajustes regulatórios, a piscicultura paulista pode perder competitividade e espaço no mercado interno.

Do ponto de vista da saúde humana, não há indicação de risco no consumo da tilápia. O debate atual está focado na proteção do sistema produtivo e na segurança sanitária dos criadouros. Em outras palavras, o problema não está no prato do consumidor, mas na origem e no controle da produção.

O que pode mudar a partir de 2026

A expectativa do setor é que São Paulo siga o exemplo de Santa Catarina e adote restrições às importações vindas do Vietnã. Caso isso aconteça, o Brasil pode fortalecer sua produção nacional, corrigir distorções tributárias e proteger seus plantéis contra ameaças sanitárias externas.

A crise pode se tornar uma oportunidade para fortalecer a piscicultura nacional, garantindo segurança sanitária, competitividade econômica e sustentabilidade para um dos peixes mais consumidos do Brasil.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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