O Carnaval é marcado por festas, calor, aglomerações e muita interação entre as pessoas. Em meio a beijos, abraços e celebrações, cresce também a preocupação com uma infecção conhecida popularmente como “doença do beijo”, a mononucleose infecciosa, que costuma registrar aumento de casos nesse período.
A mononucleose é uma infecção causada pelo vírus Epstein-Barr, pertencente à família do herpesvírus. Embora muitas pessoas tenham contato com o vírus ainda na infância, ele pode passar despercebido nessa fase por causar sintomas leves ou inexistentes.
O problema aparece com mais intensidade quando a infecção ocorre na adolescência ou na vida adulta, situação cada vez mais comum no Brasil.
Por que o beijo é o principal meio de transmissão
A principal forma de contágio é o contato direto com a saliva, especialmente em beijos prolongados, aqueles com troca efetiva de saliva. Beijos sociais, como os na bochecha, não costumam oferecer risco.
Segundo especialistas, o vírus permanece “adormecido” no organismo após a infecção inicial e pode ser eliminado pela saliva em determinados momentos, mesmo sem sinais evidentes da doença. Isso torna a transmissão silenciosa e difícil de prever.
Mudança no perfil dos infectados
De acordo com o infectologista Celso Granato, do grupo Fleury, em países com melhores condições socioeconômicas a infecção costuma ocorrer mais tarde, geralmente na adolescência. Esse mesmo padrão vem sendo observado no Brasil.
A explicação está ligada às melhores condições de higiene e menor exposição ao vírus na infância, o que adia o primeiro contato e aumenta a chance de sintomas mais intensos quando a infecção acontece.
Sintomas que merecem atenção
Os sinais da mononucleose costumam surgir de forma intensa e podem durar semanas. Entre os principais sintomas estão:
- Febre alta e persistente
- Dor de garganta intensa
- Cansaço extremo e prolongado
- Inchaço dos gânglios linfáticos
- Aumento do fígado e do baço
Em alguns casos, a fadiga pode se estender por meses, impactando a rotina do paciente.
Cuidados e tratamento recomendados
Não existe um tratamento específico para eliminar o vírus. O foco é aliviar os sintomas e evitar complicações. As recomendações médicas incluem:
- Uso de analgésicos e antitérmicos, como a Novalgina
- Ingestão abundante de líquidos para prevenir desidratação
- Repouso físico, especialmente nas fases mais intensas da doença
O médico alerta para a importância de evitar exercícios físicos, já que o aumento do baço pode levar a complicações graves.
Carnaval exige atenção redobrada
Durante o Carnaval, a combinação de calor, cansaço e maior contato físico cria o cenário ideal para a disseminação do vírus. Beijos múltiplos e ausência de sintomas aparentes em quem transmite tornam a prevenção mais difícil.
Embora a festa seja um momento de alegria, especialistas reforçam a importância de estar atento aos sinais do corpo após o período festivo e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes.





