Um estudo conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que extratos da casca de romã (Punica granatum) apresentam atividade antimicrobiana contra microrganismos comumente ligados a infecções de feridas na pele.
Os achados indicam que os compostos bioativos da casca podem dificultar o crescimento de bactérias resistentes, apontando para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, como curativos avançados e tratamentos naturais.
Romã contra bactérias
O estudo, financiado pela FAPESP e publicado no Journal of Food Processing and Preservation, avaliou extratos de resíduos da indústria alimentícia, com foco em compostos fenólicos, conhecidos por suas propriedades antimicrobianas e antioxidantes.
Entre as amostras testadas — incluindo cascas de laranja, manga, maçã, uva, limão, folhas e sementes de diversas frutas — a casca de romã apresentou o maior potencial.
Para a extração dos compostos bioativos, os pesquisadores utilizaram uma abordagem híbrida, combinando simulações computacionais e seleção de solventes eco‑eficientes, como misturas de acetona e álcool isopropílico com água, visando otimizar a recuperação de fenólicos, especialmente o ácido elágico, reconhecido por sua ação antimicrobiana.
Posteriormente, os extratos otimizados foram submetidos a testes laboratoriais, demonstrando eficácia na inibição de microrganismos como Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa, esta última conhecida por sua resistência a tratamentos convencionais, reforçando o potencial da casca de romã como base para alternativas naturais em curativos e terapias antimicrobianas.
Mais estudos
Pesquisas anteriores indicam que extratos da casca de romã apresentam atividade contra diversas bactérias patogênicas sem afetar a microbiota benéfica.
Esses extratos contêm compostos como punicalaginas, que demonstraram efeito sobre Staphylococcus aureus em modelos experimentais, reforçando seu potencial terapêutico.
O estudo ainda se encontra em fase laboratorial, com etapas futuras voltadas a ensaios in vivo, avaliação da citotoxicidade e investigação de efeitos sinérgicos entre compostos fenólicos, além de sua adaptação para curativos e produtos terapêuticos.
O objetivo é oferecer alternativas naturais aos antibióticos sintéticos, aproveitando resíduos agroindustriais como fonte de soluções de alto valor agregado para o tratamento de feridas.






