Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Ghent, na Bélgica, com apoio da Comissão Europeia e de organizações do setor aéreo, indica que as condições laborais de pilotos e comissários de bordo exercem influência direta sobre a cultura de segurança operacional e o bem-estar desses tripulantes em companhias aéreas da Europa.
O estudo foi desenvolvido com base nas respostas de aproximadamente 6.900 tripulantes de cabine e de cockpit, vinculados a mais de 100 companhias aéreas, coletadas ao longo de 2024, e atualiza análises anteriores sobre a expansão de vínculos de trabalho atípicos no setor da aviação.
Desgaste de tripulantes
- Emprego em regimes atípicos (≈ 10,3%) — inclui contratos temporários, contratos a prazo, trabalho por agências e falsos vínculos como autônomos, situação mais frequente entre tripulantes do Leste Europeu.
- Consequências contratuais — esses formatos geram maior insegurança no emprego e menor proteção sindical.
- Impacto na cultura de segurança — mais de 40% afirmam que o tipo de contrato influencia sua capacidade de tomar decisões críticas de segurança.
- Reticência em reportar fadiga e problemas de saúde — entre 35% e 45% evitam comunicar cansaço ou questões de saúde por medo de repercussões profissionais.
- Subnotificação de incidentes — mais de 10% dos entrevistados admitem não reportar incidentes de segurança.
- Discrepância de base contratual — diferença entre a base prevista em contrato e a base efetivamente utilizada, prática que pode contornar regras fiscais e trabalhistas e fragilizar proteções.
- Pressões comerciais conflitantes — exigência de realizar vendas a bordo (perfumes, bebidas etc.) conflita com a função de segurança da tripulação, elevando estresse e desgaste psicológico.
- Vulnerabilidade de grupos específicos — profissionais mais jovens e aqueles em contratos atípicos relatam níveis mais elevados de estresse e menor apoio institucional.
Medidas para segurança dos voos
Os pesquisadores apontam que a precarização das relações de trabalho deixou de ser apenas uma questão social e passou a representar um fator relevante de segurança operacional, uma vez que aspectos como fadiga, bem-estar e modelos contratuais estão diretamente conectados e podem afetar a segurança das operações aéreas.
Diante desse cenário, o relatório propõe a adoção de medidas regulatórias no âmbito da União Europeia, com destaque para o reforço das garantias contratuais, a definição objetiva das bases operacionais, a incorporação do bem-estar dos tripulantes aos sistemas de gestão da segurança e a ampliação dos mecanismos de participação e representação dos trabalhadores.





