A maioria da população brasileira entende que o abastecimento interno de alimentos deve ser priorizado em relação às exportações. Segundo pesquisa realizada pela Nexus em parceria com a Ajinomoto do Brasil, 62% dos entrevistados defendem que garantir o fornecimento ao mercado doméstico deve ter prioridade total ou superior à venda de produtos ao exterior.
O levantamento ouviu 2.012 pessoas em todas as unidades da federação, entre 26 de agosto e 1º de setembro. A pesquisa apresenta margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, o que assegura representatividade nacional dos resultados.
Exportações versus mercado interno
- Equilíbrio e exportações: 26% defendem equilíbrio entre produção para o mercado interno e exportações; 8% priorizam o mercado externo; 4% não souberam opinar.
- Prioridade ao abastecimento interno: Maior adesão no Sul e Sudeste (66%); também mais elevada entre pessoas com ensino superior e renda entre dois e cinco salários mínimos (64%).
- Foco nas exportações: Mais frequente no Norte e Centro-Oeste (12%); entre pessoas com ensino fundamental (11%) e renda de até dois salários mínimos (10%).
- Protagonismo global: 84% reconhecem o Brasil como protagonista na produção mundial de alimentos; 43% o veem como líder e 41% como altamente relevante.
- Perfil do reconhecimento: Percepção mais forte entre pessoas com ensino superior e moradores do Sul (91%), e entre entrevistados de 45 a 60 anos (88%).
- Sustentabilidade: 84% defendem políticas públicas para incentivar a produção de alimentos mais sustentáveis; 80% avaliam que padrões de produção e consumo precisam mudar para reduzir impactos ambientais.
Situações do setor
As informações são divulgadas em um cenário de movimentos desiguais nos preços do setor agropecuário. Alimentos destinados majoritariamente ao consumo doméstico, como arroz, feijão e hortifrutigranjeiros, vêm apresentando recuo nos valores, enquanto produtos mais ligados ao mercado externo — a exemplo de carnes, soja e café — seguem com preços elevados, impulsionados pela demanda internacional.
Ao longo de 2025, o agronegócio brasileiro manteve a expansão das exportações, mesmo sob restrições comerciais, ao mesmo tempo em que a maior oferta no mercado interno ajudou a reduzir a pressão inflacionária sobre os alimentos consumidos no país.






