Uma companhia aérea anunciou recentemente mudanças na configuração interna de suas aeronaves que incluíam a instalação de assentos não reclináveis. A proposta, porém, durou pouco.
Após uma onda de reclamações de passageiros e críticas internas de funcionários, a empresa decidiu suspender parte do plano e reavaliar a medida, evidenciando a sensibilidade do tema conforto a bordo em um setor já marcado por espaço cada vez mais reduzido.
Companhia aérea volta atrás após anunciar assentos não reclináveis
A empresa em questão é a WestJet, companhia aérea canadense de baixo custo com sede em Calgary, que opera principalmente na América do Norte e em rotas internacionais selecionadas.
Em setembro, a empresa informou que iria modificar o interior de parte de sua frota de jatos Boeing 737. A reconfiguração previa a inclusão de uma fileira adicional de assentos e a divisão da cabine em diferentes categorias, com variações de preço conforme o espaço disponível.
Na prática, isso significaria menos espaço para as pernas em parte da classe econômica e a introdução de poltronas com reclinação fixa, que não permitiriam ao passageiro inclinar o encosto.
Segundo a companhia aérea, a iniciativa tinha como objetivo ampliar a oferta de tarifas mais acessíveis e aumentar a eficiência econômica das operações, em um contexto de margens de lucro apertadas no setor aéreo.
No entanto, a proposta rapidamente encontrou resistência. Passageiros passaram a relatar desconforto e frustração com a ideia de ter que pagar mais para ter um recurso considerado básico por muitos.
Já os funcionários, especialmente comissários de bordo, manifestaram preocupação com as condições de trabalho e com a dificuldade de atender passageiros em cabines ainda mais apertadas.
Companhia aérea voltou atrás
Diante da repercussão negativa, a WestJet decidiu recuar parcialmente. Em comunicado interno, a direção informou que a nova configuração será aplicada, por ora, em um número menor de aeronaves, muitas das quais já operavam com espaço reduzido.
A empresa também afirmou que seguirá coletando opiniões de clientes e colaboradores antes de avançar com novas mudanças.
As críticas foram reforçadas por sindicatos que representam os funcionários da companhia.
As entidades apontaram que o espaço limitado prejudica o atendimento de passageiros com mobilidade reduzida, o transporte de crianças pequenas e animais de estimação, além de aumentar o estresse da tripulação durante o voo.
Regras como essa teriam dificuldades no Brasil
No Brasil, iniciativas semelhantes enfrentariam um controle regulatório mais rigoroso.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) exige que as companhias informem claramente o espaço entre as poltronas no momento da compra da passagem e por meio de etiquetas nos assentos.
A regra busca garantir transparência ao consumidor e permitir que o passageiro escolha com base no nível de conforto oferecido, além de assegurar condições adequadas de segurança e assistência a bordo.





