Um estudo publicado na revista Scientific Reports apresentou uma nova abordagem para a análise do risco de deslizamentos de terra, desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP (ICMC-USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A pesquisa utilizou dados geoespaciais do município de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, e comparou a proposta com métodos tradicionais de avaliação de suscetibilidade.
A metodologia é baseada em uma adaptação do Processo de Hierarquia Analítica (AHP), denominada AHP Gaussiano. O modelo substitui comparações essencialmente subjetivas por cálculos fundamentados na distribuição normal, o que torna a atribuição de pesos mais objetiva. Variáveis como relevo, proximidade de rios e estradas, tipo de solo e cobertura do terreno passam a ser avaliadas de forma mais alinhada aos padrões reais observados nos deslizamentos, ampliando a precisão das análises.
Previsão de deslizamentos de terra
A aplicação do método foi validada a partir de inventários minuciosos elaborados com imagens aéreas de altíssima resolução, de aproximadamente 10 centímetros, complementadas por dados de plataformas como Google Earth e PlanetScope. O material analisado corresponde aos episódios extremos registrados em São Sebastião em fevereiro de 2023.
A partir desse conjunto de informações, a nova abordagem apontou 26,31% da área analisada como de suscetibilidade muito elevada a deslizamentos, percentual superior ao identificado pelo AHP convencional, que indicou 23,52%. A diferença sugere maior aderência do modelo proposto às áreas efetivamente mais vulneráveis.
Além de elevar a precisão na delimitação de zonas de risco, a metodologia se destaca pela viabilidade de aplicação em contextos com restrição orçamentária. Por utilizar ferramentas estatísticas e geoespaciais amplamente acessíveis, o método pode apoiar municípios na elaboração de mapas de risco mais confiáveis, contribuindo para estratégias preventivas de Defesa Civil e para o planejamento urbano.
Aplicação
A abordagem proposta não se limita à análise de deslizamentos de terra e pode ser ajustada para o acompanhamento de outros fenômenos ambientais, como incêndios florestais, desmatamento e processos de subsidência do solo. Esses eventos, frequentemente intensificados pelos efeitos das mudanças climáticas, exigem métodos mais consistentes para a gestão e o planejamento do risco territorial.
Ao empregar critérios estatísticos mais objetivos, o estudo contribui para a redução de incertezas nas avaliações de suscetibilidade, tornando os diagnósticos mais alinhados às condições efetivamente observadas em áreas expostas a desastres naturais.





