A pandemia da covid-19 não transformou apenas a rotina humana. Um estudo científico revelou que a drástica redução da circulação de pessoas em áreas urbanas também provocou mudanças físicas em pássaros que vivem nas cidades dos Estados Unidos.
Durante o período de isolamento, algumas aves passaram a apresentar bicos mais semelhantes aos de populações silvestres, indicando um processo rápido de adaptação ao ambiente.
A pesquisa confirmou que essas alterações ocorreram em poucas gerações e reforçou a capacidade desses animais de responder rapidamente a mudanças impostas pela atividade humana.
Pandemia da covid-19 causou mutação no bico de pássaros
A descoberta foi apresentada em um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, uma das mais respeitadas do mundo.
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Os pesquisadores analisaram ao longo de vários anos populações do junco-de-olhos-escuros, uma espécie de pássaro comum na América do Norte, presente tanto em regiões urbanas quanto em áreas naturais.
O objetivo era entender como a presença constante de humanos influencia características físicas desses animais.
Antes da pandemia, as aves que viviam nas cidades apresentavam diferenças claras em relação às que habitavam florestas e regiões menos urbanizadas. Entre essas diferenças estava o formato do bico, que nas áreas urbanas tendia a ser mais curto e resistente.
Os cientistas associaram essa característica ao acesso frequente a restos de comida humana, como migalhas e resíduos encontrados em ruas, parques e lixeiras.
Com o início da pandemia e a adoção de medidas de isolamento, esse cenário mudou de forma abrupta.
Menos pessoas nas ruas significou menos oferta de alimento de origem humana. As aves nascidas nesse período passaram a depender mais de fontes naturais de comida, como sementes e insetos.
Como resultado, os pesquisadores observaram que esses pássaros desenvolveram bicos mais longos e estreitos, muito parecidos com os encontrados em populações que vivem longe dos centros urbanos.
Cientistas acompanharam pássaros por anos
Para chegar a essas conclusões, os cientistas capturaram e analisaram indivíduos ao longo de diferentes anos, tanto em áreas urbanas de Los Angeles quanto em regiões florestais próximas.
Foram feitas medições detalhadas do corpo e do bico, além da identificação da idade de cada ave. Essa abordagem permitiu comparar gerações e relacionar as mudanças físicas às variações no ambiente.
Após o relaxamento das restrições e o retorno gradual da atividade humana, o padrão urbano começou a reaparecer nas gerações mais recentes. Segundo os autores do estudo, esse vai e vem nas características físicas demonstra o quanto a vida selvagem é sensível às ações humanas.
A pesquisa reforça a importância de compreender essa relação, já que alterações no comportamento das pessoas podem provocar impactos rápidos e profundos em outras espécies.






