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Estudo mostra que síndrome grave pode estar associada ao adoçante

Por Leticia Florenço
16/12/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Adoçante - Reprodução/iStock

Adoçante - Reprodução/iStock

Substituir o açúcar pelo adoçante é uma prática comum entre pessoas que buscam controlar o peso ou a glicemia, mas um novo estudo científico sugere que essa troca pode não ser tão inofensiva quanto se imagina.

Pesquisadores identificaram uma possível associação entre o consumo elevado de adoçantes artificiais e o desenvolvimento de uma síndrome grave ligada ao declínio cognitivo, incluindo perda de memória e redução de funções mentais essenciais.

Os resultados indicam que o uso frequente e em altas doses de adoçantes pode acelerar em até 62% a perda das capacidades cognitivas.

As alterações foram observadas com maior intensidade em adultos entre 35 e 60 anos, fase da vida em que problemas neurodegenerativos costumam ser menos esperados, o que torna os achados ainda mais preocupantes.

Risco ampliado entre pessoas com diabetes

Entre os participantes analisados, indivíduos com diabetes apresentaram maior propensão a sinais de neurodegeneração quando consumiam grandes quantidades de adoçantes.

Esse dado sugere que, justamente para quem mais recorre a esses produtos como alternativa ao açúcar, os efeitos adversos podem ser mais intensos e exigir atenção redobrada.

O que a pesquisa acrescenta ao conhecimento científico

Segundo a professora Claudia Suemoto, da Universidade de São Paulo, já existiam evidências relacionando adoçantes a problemas cardiovasculares, metabólicos e até ao câncer.

O diferencial do novo estudo está em mensurar de forma inédita os possíveis impactos dessas substâncias sobre a saúde do cérebro, ampliando a compreensão sobre seus efeitos de longo prazo.

Base de dados ampla e acompanhamento prolongado

A investigação utilizou informações do ELSA-Brasil, um dos maiores estudos longitudinais de saúde do país, com dados de mais de 12 mil participantes coletados entre 2008 e 2010.

Os voluntários detalharam suas dietas, o que permitiu avaliar tanto o consumo direto de adoçantes quanto a ingestão indireta por meio de alimentos ultraprocessados.

Durante o período de estudo, os participantes passaram por testes padronizados que analisaram fluência verbal, memória e velocidade de raciocínio. As avaliações ocorreram em diferentes momentos, permitindo observar a evolução das funções cognitivas.

As análises estatísticas consideraram fatores como idade, sexo, atividade física, índice de massa corporal e presença de doenças crônicas.

Limitações e necessidade de cautela

Apesar dos resultados consistentes, os pesquisadores ressaltam que o estudo possui limitações. A complexidade dos hábitos alimentares e do estilo de vida dificulta o isolamento completo dos efeitos do adoçante.

Além disso, os achados ainda precisam ser replicados em outras populações antes de embasar mudanças em recomendações oficiais.

Questão dos adoçantes mais recentes

Como os dados analisados são de mais de uma década atrás, a pesquisa não incluiu a sucralose, hoje amplamente utilizada. Ainda assim, estudos posteriores sugerem que esse adoçante não apresenta diferenças significativas em relação aos demais quando consumido em excesso, mantendo o alerta válido.

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que o consumo de bebidas adoçadas artificialmente está associado a maior risco de AVC, demência e doença de Alzheimer em idosos. Esses resultados fortalecem a hipótese de que os adoçantes podem afetar negativamente a saúde cerebral ao longo do tempo.

Especialistas em geriatria destacam que até 40% do risco de demência pode ser reduzido ao controlar fatores modificáveis, como a dieta. Priorizar alimentos in natura, reduzir ultraprocessados e limitar o uso de adoçantes artificiais são estratégias apontadas como fundamentais para preservar a saúde cognitiva.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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