O que era para ser apenas mais um dia difícil diante do apagão que atingiu a Região Metropolitana de São Paulo transformou-se em um episódio de corrupção explícita.
Um funcionário terceirizado da Enel foi preso após cobrar R$ 2,5 mil para religar a energia de um estabelecimento na Vila Mariana. O caso, ocorrido na quinta-feira (11/12), escancarou a fragilidade e a tensão entre consumidores e prestadores de serviço em meio ao caos de abastecimento.
Como a tentativa de propina foi descoberta
O alvo da cobrança indevida foi o restaurante Rancho da Empada, que estava sem luz desde o início da tarde do dia anterior. Sem condições de operar, enfrentando prejuízos e insegurança, o proprietário recebeu a abordagem do funcionário, identificado como Alex Rodrigues Nogueira.
Ao perceber que se tratava de uma exigência ilegal, o empresário simulou aceitar a proposta e acionou o subprefeito de Vila Mariana, Rafael Minatogawa. A partir desse momento, a conversa passou a ser registrada.
O vídeo que expôs a irregularidade
Minatogawa publicou nas redes sociais o vídeo do encontro em que questiona o funcionário sobre “como acertar” a religação. Sem perceber que estava sendo gravado e denunciado, o suspeito confirmou que havia cobrado R$ 2,5 mil para religar o conector na Rua Sena Madureira.
A gravação circulou rapidamente e gerou forte repercussão, principalmente pelo momento crítico vivido na capital paulista, onde centenas de milhares de imóveis estavam sem energia.
Prisão em flagrante e atuação da polícia
Logo após a gravação, agentes do 16º Distrito Policial, no bairro Vila Clementino, foram acionados. A prisão aconteceu na Praça Manuel Vaz de Toledo, onde Alex Nogueira foi detido por corrupção passiva.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o flagrante foi devidamente registrado, reforçando que a cobrança para restabelecimento de energia é crime e não tem qualquer respaldo contratual ou institucional.
O episódio ocorre em meio a uma crise sem precedentes. Quase 48 horas após a passagem de um ciclone extratropical no Sul do país, mais de 800 mil imóveis permaneciam sem energia na manhã de sexta-feira (12/12).
A população tenta lidar com prejuízos, insegurança e um sentimento generalizado de abandono, enquanto a distribuidora afirma estar trabalhando na recomposição total da rede.
Enel rebate e afirma que não há cobrança por emergências
Em nota oficial, a Enel São Paulo repudiou a conduta do funcionário preso e reforçou que nenhuma taxa individual pode ser cobrada para reparos na rede ou religação em situações emergenciais.
A empresa destacou que qualquer exigência de pagamento desse tipo é proibida e orientou consumidores a denunciarem imediatamente abordagens suspeitas aos canais da companhia.
O caso ganhou ainda mais destaque devido à atuação do subprefeito e ao ambiente de indignação generalizada contra a distribuidora.
A paralisação de serviços, a demora na recomposição de energia e as investigações sobre falhas estruturais alimentam pedidos de intervenção federal, como recentemente defendido por autoridades estaduais.





