Um esquema de fraude que movimentou mais de um milhão de reais chamou a atenção da Polícia Federal depois que jovens começaram a se passar por correntistas com mais de 100 anos para acessar contas bancárias de alto saldo e pouca movimentação.
A prática, descoberta após alertas internos da Caixa Econômica Federal, resultou em uma operação que atingiu diferentes estados e revelou a participação de funcionários recém-contratados da instituição.
Esquema milionário tinha jovens fingindo ser idosos de 100 anos
A investigação começou quando o setor de prevenção à fraude da Caixa percebeu um padrão incomum no cadastramento de biometria facial e digital de clientes centenários.
O que parecia, a princípio, apenas inconsistência de dados acabou revelando um esquema articulado: pessoas bem mais jovens eram levadas às agências para registrar novas biometrias no lugar dos idosos que eram os verdadeiros titulares.
Com a atualização fraudulenta, o grupo conseguia liberar movimentações antes bloqueadas pela falta de autenticação física.
As vítimas eram idosos que mantinham contas com valores significativos e realizavam poucas transações.
Esse perfil facilitava a ação dos criminosos, que, após alterar os dados biométricos, promoviam saques rápidos em casas lotéricas e transferências para outras contas ligadas ao esquema.
Segundo a Polícia Federal, esse processo era repetido em sequência para evitar que as instituições financeiras detectassem o desvio no mesmo dia.
Parte central da fraude envolvia empregados da Caixa que, graças ao acesso a sistemas internos, auxiliavam na liberação dos cadastros suspeitos. A PF identificou que essas inclusões ocorreram, principalmente, em agências do Pará.
Após a manipulação, o dinheiro era retirado em diferentes municípios da Bahia, onde as contas principais das vítimas estavam localizadas.
Extensão do esquema impressionou
Até o momento, foram confirmadas cerca de 20 contas alvo do grupo, distribuídas por cidades como Salvador, Feira de Santana, Serrinha, Cachoeira, Guanambi, Eunápolis, Castro Alves, Euclides da Cunha, Conceição do Coité e Itamarajú.
A extensão da atuação chamou a atenção dos investigadores, que apontam uma rede organizada, com funções definidas entre quem captava os “representantes” jovens, quem fazia o cadastro biométrico e quem realizava os saques.
Com o avanço das apurações, a Justiça determinou o bloqueio das contas dos envolvidos e autorizou mandados de busca em Belém e Dom Eliseu, no Pará.
Dois empregados da Caixa foram afastados de suas funções, e novos desdobramentos ainda são esperados, já que a PF trabalha para identificar todos que lucraram com o esquema.





