Uma iniciativa nascida da indignação levou a curitibana Sabrine Matos, de 28 anos, a criar uma ferramenta digital voltada à segurança feminina. O projeto começou como um site e deve ganhar versão em aplicativo nos próximos meses.
A proposta é simples e direta. A mulher digita o nome, o telefone ou o CPF de um homem e verifica se há registros públicos na Justiça que indiquem processos criminais, mandados de prisão ou histórico de violência.
A consulta dura poucos segundos e, segundo a criadora, pode ajudar a evitar encontros arriscados.
Jovem cria aplicativo para mulheres saberem histórico de violência dos homens
A ideia surgiu depois que Sabrine acompanhou o caso de uma jornalista assassinada pelo ex-companheiro, cuja ficha criminal era extensa, mas pouco acessível para quem não conhecia o passado dele.
Sem saber programar e sem um plano formal, ela decidiu transformar a inquietação em tecnologia.
Encontrou numa plataforma no-code o meio para tirar o projeto do papel e, com apoio do sócio Felipe Bahia, colocou no ar o Plinq, nome escolhido para identificar a busca rápida e prática por informações oficiais.
O desenvolvimento levou pouco tempo e priorizou a utilidade. Nada de funções avançadas. O objetivo era permitir consultas claras e ágeis.
O site usa apenas dados públicos. Tribunais e bases governamentais servem como fonte para o sistema, que organiza essas informações e as apresenta por meio de alertas visuais.
Quando a pessoa pesquisada possui ocorrências criminais, o usuário recebe um sinal vermelho e pode acessar detalhes sobre o tipo de processo. Se não há nada registrado, a plataforma exibe um alerta verde.
O modelo de assinatura, que custa R$ 97 ao mês, dá acesso ilimitado às buscas, o que, segundo Sabrine, estimula o uso contínuo e ajuda na prevenção.
Site deve ganhar aplicativo em breve
O próximo passo é ampliar o alcance da ferramenta. A versão em aplicativo deve incluir recursos extras, como compartilhamento de localização com contatos de confiança e check in de segurança para encontros.
Para viabilizar essa expansão e a criação do aplicativo, Sabrine prepara uma rodada de investimento voltada exclusivamente a mulheres.
Ela acredita que o produto precisa ser construído por pessoas que compreendam a realidade que motivou sua criação e espera captar cerca de 1 milhão de reais para acelerar o desenvolvimento.
Questionada sobre o risco de enfrentar processos judiciais, Sabrine diz não se intimidar. Para ela, a plataforma apenas organiza aquilo que já é público.
O foco permanece no impacto. Se o serviço evitar que uma mulher se coloque em perigo, afirma, o trabalho já terá cumprido sua função.





