A relação entre ambiente urbano e saúde mental de idosos tem se mostrado cada vez mais evidente. Condições físicas, ambientais e sociais presentes nas cidades podem intensificar vulnerabilidades, elevar o risco de adoecimento e contribuir para o aparecimento de sintomas depressivos entre a população idosa.
Nesse contexto, uma pesquisa desenvolvida pelo professor Pablo Roccon — apresentada em sua tese de doutorado no Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG — investigou de que maneira idosos brasileiros percebem suas vizinhanças e como essas percepções se associam ao bem-estar emocional.
Idosos com depressão
O estudo tomou como referência a linha de base do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi-Brasil), conduzido entre 2015 e 2016, abrangendo uma amostra nacional representativa composta por mais de 7 mil residentes de áreas urbanas com 50 anos ou mais. A análise revelou:
Prevalência geral de sintomas depressivos: 34,09% dos participantes.
- Mulheres: 43,8%
- Homens: 24,5%
Impacto de fatores ambientais:
- Desordem física na vizinhança: 22% de prevalência.
- Bairro avaliado como pouco agradável: 24%.
- Poluição sonora: 27%.
Impacto de condições associadas à violência:
- Vítimas de furto, roubo ou invasão domiciliar: 31% de prevalência.
- Sensação de insegurança, especialmente entre mulheres: influência significativa na ocorrência de sintomas depressivos.
Coesão social:
- Idosos que não perceberam senso de comunidade e confiança entre vizinhos apresentaram 26% de prevalência de sintomas depressivos.
Desigualdades estruturais identificadas:
- Mulheres, pessoas negras e pardas e idosos com menor renda relataram com maior frequência:
- Ausência de coesão social
- Insegurança
- Desordem física no bairro
- Piores condições de mobilidade
Ações de combate
Grupos socialmente vulneráveis tendem a viver em áreas urbanas mais precárias, o que reforça a necessidade de políticas públicas orientadas à equidade. Entre as ações prioritárias estão o fortalecimento do suporte socioassistencial, políticas de distribuição de renda e obras de requalificação urbana, como melhoria de calçadas, iluminação, parques, áreas verdes e espaços de convivência.
Também são essenciais intervenções para controle de enchentes, redução de ilhas de calor, reorganização do ambiente físico e estímulo à coesão comunitária, favorecendo um envelhecimento ativo e saudável. Essas medidas estão alinhadas à Década do Envelhecimento Saudável 2021-2030, da ONU, que destaca a importância de cidades inclusivas, seguras e socialmente integradas.






