Seguindo um movimento que ganhou força no setor financeiro após o anúncio do Nubank no mês passado, o Bradesco decidiu colocar fim ao modelo remoto em parte de suas operações.
A medida confirma uma tendência global de retorno aos escritórios, adotada por empresas de diferentes segmentos, e marca uma mudança importante na rotina de centenas de profissionais do banco.
No caso do Bradesco, a volta ao presencial começa já no início do ano que vem, em janeiro de 2026.
Bradesco segue linha do Nubank e volta ao trabalho presencial
A instituição informou aos funcionários que todos os 844 empregados do departamento de investimentos atuarão novamente de maneira totalmente presencial.
O comunicado foi feito no dia 1º de dezembro e, segundo o banco, respeita o prazo previsto na Convenção Coletiva de Trabalho para avisos de alteração no regime laboral.
A direção do Bradesco afirmou que a retomada foi planejada com antecedência e que as instalações do setor passaram por adequações para garantir que cada trabalhador tenha espaço físico adequado, condição que, segundo a empresa, permitiria uma transição segura e organizada.
Embora o banco não tenha detalhado razões operacionais específicas para a revisão do modelo, a decisão ocorre em meio ao esforço de grandes instituições de fortalecer a interação cotidiana das equipes, especialmente em áreas consideradas estratégicas.
O retorno obrigatório atinge, por enquanto, apenas o núcleo de investimentos, e deverá ser implementado de forma integral a partir de 2 de janeiro.
Anúncio do Bradesco ocorre dias após decisão semelhante do Nubank
O movimento do Bradesco acontece semanas depois de o Nubank anunciar seu próprio plano de retomada presencial. No caso da fintech, o calendário prevê dois dias por semana de trabalho no escritório a partir de julho de 2026 e três dias semanais a partir de janeiro de 2027.
A mudança provocou forte reação interna. Funcionários divulgaram um manifesto apontando impactos financeiros e familiares, especialmente entre trabalhadores que reorganizaram suas vidas para o regime remoto.
As críticas se intensificaram após demissões por justa causa no dia do anúncio, episódio que ampliou a mobilização e levou quase 300 pessoas a participarem de uma plenária com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
No Bradesco, embora não haja registro de conflitos semelhantes, o sindicato afirma que acompanhará de perto as condições oferecidas no retorno.
A entidade reforça que permanece à disposição para receber denúncias sobre eventuais problemas estruturais ou organizacionais, inclusive de forma anônima, e que seguirá monitorando o processo para assegurar que os direitos da categoria sejam respeitados.






