Incidentes recentes de violência contra crianças brasileiras em escolas públicas portuguesas destacam a continuidade da discriminação e da xenofobia, sobretudo contra alunos que falam português com sotaque brasileiro.
Há quatro anos, diante de casos semelhantes envolvendo estudantes estrangeiros, o governo de Portugal havia anunciado programas de formação para professores, visando promover a conscientização sobre diversidade linguística e a tolerância nas escolas.
Violência contra estudantes brasileiros
No entanto, evidências apontam que essas iniciativas não geraram mudanças significativas, e a violência contra alunos estrangeiros seguiu ocorrendo, frequentemente sem responsabilização adequada. Entre os casos mais graves, destaca-se a mutilação de parte dos dedos de um estudante brasileiro de 10 anos, que precisou ser transferido tanto de escola quanto de cidade devido ao trauma.
Além das agressões físicas, crianças brasileiras enfrentam bullying por causa do modo de falar, sofrendo zombarias e exclusão por não adotarem a pronúncia portuguesa considerada “correta”. Esses episódios revelam um padrão de hostilidade que ultrapassa a interação entre colegas, envolvendo também professores e algumas famílias, e contribuindo para a naturalização da discriminação dentro das instituições educacionais.
Estudantes no exterior
De acordo com a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, até o fim do primeiro semestre de 2025, aproximadamente 88 mil brasileiros estavam matriculados em escolas portuguesas, um aumento superior a 550% desde 2017, ano em que se intensificou a nova onda migratória.
Considerando os dados de imigração, a população brasileira no país pode ultrapassar 600 mil. Esse crescimento evidencia a necessidade urgente de políticas educacionais inclusivas e de programas que promovam o respeito à diversidade cultural e linguística.
A ausência de ações contínuas revela lacunas institucionais na proteção de alunos estrangeiros. Sem a manutenção de programas de formação docente e medidas preventivas eficazes, os estudantes permanecem expostos a situações de violência.
Garantir a segurança e o desenvolvimento de crianças brasileiras em Portugal requer a implementação de políticas de inclusão, campanhas de conscientização sobre diversidade e mecanismos efetivos de prevenção e responsabilização frente a episódios de bullying e agressões.






